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Empreita, palma e esparto: o que são e qual a diferença

A empreita é a trança de folha de palmeira-anã, cosida em alcofas, cestos e chapéus. O esparto é uma gramínea mais dura, usada em tapetes, cestos de carga e cordas.

7 دقيقة قراءةبواسطة Tiago Reis

Mala artesanal em palma entrançada, feita pelas artesãs seniores da AECT em Tavira, no Algarve

Tiago ReisPor Tiago Reis, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 5 minutos

Mala artesanal em palma entrançada, feita pelas artesãs seniores da AECT em Tavira, no Algarve

A empreita é a técnica de entrançar tiras finas de folha de palma, a palmeira-anã (Chamaerops humilis), numa fita comprida que depois se cose em espiral para fazer alcofas, cestos, esteiras, chapéus e abanos. É um ofício sobretudo algarvio. O esparto é outra planta e outro trabalho: uma gramínea dura (no Algarve, a Stipa tenacissima do Barrocal) que dá peças mais rijas e pesadas, como tapetes, cestos de campo e cordas. À primeira vista parecem parecidos, mas a planta, a textura e os usos são diferentes.

Empreita, palma e esparto em resumo

  • Empreita: a trança de palma e, por extensão, o ofício de a fazer e coser.
  • Palma: a folha da palmeira-anã, também chamada palmeira-das-vassouras, a única palmeira nativa da Europa continental.
  • Esparto: uma gramínea de folhas finas e muito resistentes; no Algarve trabalha-se a Stipa tenacissima, que cresce no Barrocal.
  • Onde: sobretudo no Algarve, da serra ao Baixo Guadiana.
  • Diferença principal: a palma dá peças leves e lisas; o esparto dá peças mais ásperas, duras e pesadas.
  • Na Ra-Ro: a palma das artesãs seniores de Tavira e o esparto de Isidoro Ramos.

O que é a empreita

Empreita é o nome que no Algarve se dá à trança feita com tiras de folha de palma e, por extensão, a todo o ofício. A palmeira-anã é um arbusto baixo que cresce espontâneo nos cerros e encostas secas do sul. As folhas em leque são rijas, mas depois de secas e humedecidas dobram-se sem partir. Durante gerações, foi com elas que se fizeram os recipientes para guardar e transportar figos, amêndoas e alfarroba, as gorpelhas que iam no lombo do burro e as capacheiras de peneirar farinha. Mais tarde vieram as esteiras, os chapéus, os abanos, as fruteiras e os forros de garrafas. Em Castro Marim, havia cestos de palma para recolher o sal das salinas. Veja também as entradas do glossário sobre empreita e palma.

Onde se faz a empreita

O coração da empreita é o Algarve: a serra e o barrocal, o interior de Loulé, São Brás de Alportel e Tavira, e o Baixo Guadiana. O Programa Saber Fazer, que mapeia o artesanato português, regista artesãos e oficinas de empreita em concelhos como Monchique, Portimão, Silves, Loulé, São Brás de Alportel, Castro Marim e Vila Real de Santo António, e também fora do Algarve, por exemplo em Santiago do Cacém. Para conhecer a região e os seus ofícios, veja a página do Algarve.

Como se faz a empreita

  1. Apanha: as folhas de palma são cortadas no campo.
  2. Secagem: lavam-se, secam ao sol e separam-se por espessura.
  3. Tiras: cada folha é ripada em tiras finas, que se humedecem para ficarem flexíveis. Algumas tingem-se para criar desenhos.
  4. Trança: as tiras entrançam-se numa fita comprida, a empreita.
  5. Costura: a fita enrola-se e cose-se a si própria com uma agulha e um cordel fino de palma torcida, a baracinha, até ganhar a forma da peça.

Era sobretudo trabalho de mulheres, feito nos serões de inverno, quando o campo não pedia braços.

O que é o esparto

Esparto é o nome de gramíneas mediterrânicas de folhas compridas, finas e muito tenazes. A de fibra mais forte é a Stipa tenacissima (também classificada como Macrochloa tenacissima), que cresce em Portugal, Espanha e no Norte de África; há outra planta também chamada esparto, a Lygeum spartum. No Algarve, o esparto trabalhado é a Stipa tenacissima, que nasce no Barrocal. A preparação dá trabalho: as folhas arrancam-se e secam ao sol e, para muitas peças, ficam de molho vários dias antes de se poderem trabalhar. À volta de Alte faziam-se com ele tapetes, cestos e alcofas conhecidos por durarem uma vida. Mais no glossário: esparto.

Palma e esparto: qual a diferença

  • Planta: a palma é a folha de uma palmeira; o esparto é uma erva, uma gramínea.
  • Preparação: a palma seca e ripa-se em tiras; o esparto seca e, muitas vezes, demolha durante dias.
  • Textura: a palma é lisa, clara e leve; o esparto é fibroso, áspero e rijo.
  • Técnica: a palma entrança-se em fitas que depois se cosem; o esparto entrança-se ou torce-se em cordões mais grossos.
  • Usos: palma para alcofas, chapéus, abanos, esteiras e malas; esparto para tapetes, cestos de carga, cordas e peças que aguentam peso.
  • Regiões: em Portugal, ambos sobretudo no Algarve: a palma da serra ao Guadiana, o esparto no Barrocal, com Alte como referência.

O ofício hoje

Os dois ofícios perderam o lugar que tinham quando o plástico chegou ao campo. A empreita continua viva, passada em família e ensinada em oficinas, e há artesãos a levá-la para malas e desenhos novos, embora seja difícil viver só dela. O esparto esteve mais perto de desaparecer: em Querença, perto de Loulé, a cooperativa QRER tem feito cursos para ensinar a apanha, o tratamento e o trabalho da planta a novas mãos.

Onde comprar palma e esparto: as peças da Ra-Ro

Em Tavira, as artesãs seniores da AECT continuam a tecer a palma como se fazia quando os agricultores faziam as próprias ferramentas. Delas vêm a Mala Artesanal (42,20 euros), que leva a tradição para a rua, e o Pack Palma de Tavira (75,96 euros), com a mala e a cesta com tampa, 10% mais barato do que as duas peças em separado. A história está em Mala de palma de Tavira.

Isidoro Ramos trabalha o esparto como lhe ensinaram a avó e a mãe. A Barreleira (246,20 euros) é um cesto para a roupa suja antes de ir à barrela, e a sua história está em A barreleira de Isidoro Ramos. A Caracoleira (66,20 euros) é o cesto pequeno que se leva ao ombro para apanhar caracóis. A Cabeça de Burro (26,50 euros) homenageia o animal que trabalhou ao lado dos agricultores e que hoje está quase extinto no Algarve; veja a sua história em Cabeça de Burro em esparto. O Pack Esparto (78,03 euros) junta a caracoleira e a cabeça de burro para garrafa.

Perguntas frequentes

O que é a empreita?

É a técnica algarvia de entrançar tiras de folha de palmeira-anã numa fita comprida, que depois se cose em espiral para fazer alcofas, cestos, esteiras, chapéus e abanos.

Que planta é a palma algarvia?

É a palmeira-anã (Chamaerops humilis), também chamada palmeira-das-vassouras, um arbusto baixo que cresce espontâneo no sul e é a única palmeira nativa da Europa continental.

O que é o esparto?

É uma gramínea de folhas finas e muito resistentes. No Algarve trabalha-se a Stipa tenacissima, que cresce no Barrocal, para fazer tapetes, cestos, alcofas e cordas.

Qual a diferença entre palma e esparto?

A palma é a folha de uma palmeira e dá peças leves e lisas, entrançadas e cosidas. O esparto é uma erva mais fibrosa e áspera, que dá peças duras e pesadas.

Onde se faz a empreita em Portugal?

Sobretudo no Algarve, na serra, no barrocal e no Baixo Guadiana, com oficinas em concelhos como Loulé, São Brás de Alportel, Tavira e Castro Marim.

Onde comprar artesanato em palma e esparto?

Na Ra-Ro, com peças de palma das artesãs seniores de Tavira e cestos de esparto de Isidoro Ramos, como a barreleira e a caracoleira.

كتب بواسطة Tiago Reis

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