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Mala de palma de Tavira: as mãos que ainda vão ao campo

Tiago ReisPor Tiago Reis, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 3 minutos

Mala artesanal de palma da AECT, em Tavira

Há cinquenta anos, em Tavira, ainda era comum os agricultores fazerem os próprios cestos. Não a pá nem a foice, essas compravam-se. Mas de que servem as ferramentas se não houver onde levar a colheita? Batatas, alfarrobas. Tudo cabia num cesto de palma feito em casa.

A Mala Artesanal é uma mala de palma tecida à mão em Tavira, no Algarve, por mulheres entre os 70 e os 80 anos, através da AECT (Associação Em Contacto Tavira), a partir da mesma planta que cresce nos terrenos baldios onde passaram a juventude.

Quem faz esta mala?

A AECT é uma associação que promove o envelhecimento ativo e combate o isolamento e a exclusão da população idosa. Foi através dela que chegámos a estas artesãs e a três peças que descendem da tradição dos cestos de palma. Esta mala é uma delas.

E houve uma coisa em que custámos a acreditar: além de tecerem, algumas destas artesãs ainda trabalham no campo todos os dias. É difícil não ficar impressionado. Nos rostos, nas mãos e nas histórias delas há uma tapeçaria de tempo e de força que nenhum texto consegue resumir bem.

Pormenor da textura da mala de palma feita à mão

O que é a palma e porque importa?

A palma é a folha de uma palmeira que cresce nos terrenos baldios do Algarve e que, seca e entrançada, serviu durante gerações para fazer cestos para o campo. Nesta mala, é tecida à mão, e cada uma guarda as pequenas diferenças de quem a fez.

Gosto mesmo desta mala por uma razão simples. Nasceu de uma necessidade, levar a colheita para casa, e chegou até hoje sem perder a verdade. Não precisa de ser vendida como tendência. É uma mala boa, feita por quem sabe, com uma planta que sempre esteve ali.

Da colheita à cidade

Batatas e alfarrobas. Era isto que cabia nos cestos de palma de Tavira. Hoje cabe uma carteira, um livro, as compras do mercado. A forma adaptou-se, a técnica não. As artesãs continuam a tecer a mesma planta, dos mesmos terrenos, com as mesmas mãos que um dia a apanharam para trabalhar.

Há qualquer coisa de muito bonito em pensar que esta mala vai passear pela cidade e que foi feita por alguém que, nesse mesmo dia, pode ter estado no campo. É uma ligação direta entre dois mundos que costumamos imaginar separados.

A AECT fez uma coisa inteligente: percebeu que o saber destas mulheres era uma riqueza e que partilhá-lo era também uma forma de combater o isolamento. A mala é o resultado visível. O invisível são as conversas, o convívio e a importância de continuar a fazer.

Para quem é?

Para quem gosta de objetos com uma história verdadeira atrás. Serve para o mercado, para a praia, para o dia a dia. E cada vez que sai de casa leva consigo um bocado de Tavira e das mulheres que continuam a tecê-la.

Mala Artesanal, por AECT

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Mala Artesanal, por AECT

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Perguntas frequentes

Quem faz a Mala Artesanal?

Mulheres entre os 70 e os 80 anos, em Tavira, através da AECT (Associação Em Contacto Tavira). Algumas ainda trabalham no campo todos os dias.

De que é feita a mala?

De palma, a folha de uma palmeira que cresce nos terrenos baldios do Algarve, tecida à mão.

De onde vem esta tradição?

Dos cestos de palma que os agricultores de Tavira faziam para recolher batatas e alfarrobas, uma prática ainda comum há cinquenta anos.

O que é a AECT?

É a Associação Em Contacto Tavira, que promove o envelhecimento ativo e combate o isolamento e a exclusão da população idosa.

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