Por Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
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Houve um tempo em que o burro era o motor silencioso do Algarve. Hoje, quase desaparecido, sobrevive numa cabeça de burro trançada em esparto, feita à mão por Isidoro Ramos, em Paderne.
Porque é que o burro quase desapareceu do Algarve?
A mecanização do campo, a partir de meados do século XX, tornou dispensável um animal que foi indispensável. Esta peça devolve-lhe presença.
O que é o esparto e como se trabalha?
O esparto é uma planta autóctone arrancada entre julho e setembro, seca ao sol, demolhada e trançada em tiras (a empreita), cosidas com juta ou sisal.

Quem é Isidoro Ramos?
Isidoro Ramos é de Paderne, no Algarve. Foram a avó e a mãe que lhe ensinaram os gestos, mantendo viva uma transmissão familiar que atravessa gerações.
Porque é que esta peça importa hoje?
Guarda duas memórias: a do animal que quase desapareceu e a do saber que o soube representar.
Descubra a Cabeça de Burro em esparto.
Perguntas frequentes
O que é a Cabeça de Burro em esparto?
Uma escultura decorativa em forma de cabeça de burro, feita à mão em esparto, uma fibra vegetal nativa. Celebra a memória rural do Algarve.
Quem faz esta peça e onde?
Isidoro Ramos, artesão de Paderne, no Algarve, que aprendeu a técnica do esparto com a avó e a mãe.
Que materiais são usados?
O corpo é feito de esparto, uma planta nativa, unido com corda natural de juta ou sisal.
Qual é a técnica?
O esparto é entrançado em tiras chamadas empreita, que depois são enroladas e cosidas com agulha grossa e corda natural até formar o volume da peça.
Porque é tão rara?
O burro quase desapareceu do Algarve com a mecanização, e o próprio saber do esparto está em risco por ser transmitido por cada vez menos mãos.
Como é recolhido e preparado o esparto?
É colhido entre julho e setembro, seco ao sol até ganhar um tom dourado e depois humedecido para amolecer antes de ser entrançado e cosido à mão.