index

Cabeça de Burro em esparto: a memória de um companheiro que quase desapareceu

Luís SerraPor Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 3 minutos

Cabeça de burro decorativa trançada em esparto

Houve um tempo em que o burro era o motor silencioso do Algarve. Hoje, quase desaparecido, sobrevive numa cabeça de burro trançada em esparto, feita à mão por Isidoro Ramos, em Paderne.

Porque é que o burro quase desapareceu do Algarve?

A mecanização do campo, a partir de meados do século XX, tornou dispensável um animal que foi indispensável. Esta peça devolve-lhe presença.

O que é o esparto e como se trabalha?

O esparto é uma planta autóctone arrancada entre julho e setembro, seca ao sol, demolhada e trançada em tiras (a empreita), cosidas com juta ou sisal.

Cabeça de burro em esparto vista de três quartos

Quem é Isidoro Ramos?

Isidoro Ramos é de Paderne, no Algarve. Foram a avó e a mãe que lhe ensinaram os gestos, mantendo viva uma transmissão familiar que atravessa gerações.

Porque é que esta peça importa hoje?

Guarda duas memórias: a do animal que quase desapareceu e a do saber que o soube representar.

Descubra a Cabeça de Burro em esparto.

Perguntas frequentes

O que é a Cabeça de Burro em esparto?

Uma escultura decorativa em forma de cabeça de burro, feita à mão em esparto, uma fibra vegetal nativa. Celebra a memória rural do Algarve.

Quem faz esta peça e onde?

Isidoro Ramos, artesão de Paderne, no Algarve, que aprendeu a técnica do esparto com a avó e a mãe.

Que materiais são usados?

O corpo é feito de esparto, uma planta nativa, unido com corda natural de juta ou sisal.

Qual é a técnica?

O esparto é entrançado em tiras chamadas empreita, que depois são enroladas e cosidas com agulha grossa e corda natural até formar o volume da peça.

Porque é tão rara?

O burro quase desapareceu do Algarve com a mecanização, e o próprio saber do esparto está em risco por ser transmitido por cada vez menos mãos.

Como é recolhido e preparado o esparto?

É colhido entre julho e setembro, seco ao sol até ganhar um tom dourado e depois humedecido para amolecer antes de ser entrançado e cosido à mão.

Histórias relacionadas

Bailha

Quando o futuro se borda com a arte do passado.
Na Bailha, o Bordado da Madeira renasce em cada peça. Com as mãos de quem aprendeu a tradição e o saber de quem a sabe reinventar.

 

Ler mais
Isidoro Ramos

O esparto não se corta. Arranca-se.
Isidoro Ramos voltou ao campo que o viu crescer. E recuperou a tradição que as mãos da avó e da mãe lhe ensinaram. Para que o esparto algarvio não desapareça nas serras onde ainda cresce.

Ler mais
Salinas do Samouco

Na Marinha do Canto, o saber não tem validade. Tal como o sal.
No estuário do Tejo, as Salinas do Samouco foram outrora as maiores produtoras do país. Hoje resiste a Marinha do Canto onde o sal, teimoso, ficou.

Ler mais