Empreita é a técnica de entrançar tiras finas de folha de palma, ou de esparto, em fitas longas. As fitas são depois enroladas e cosidas umas às outras para formar cestos, alcofas, tapetes e outras peças. É uma arte tradicional do Algarve, ligada à vida do campo.
Origem e história
A empreita nasceu da vida rural. Durante gerações, as famílias do barrocal e da serra algarvia fizeram os seus próprios objetos de trabalho: cestos, alcofas, seiras, capachos, vassouras e esteiras para secar figos. Em Tavira, há cerca de cinquenta anos, os agricultores ainda faziam os cestos de palma com que apanhavam batatas e alfarrobas. Do século XVI a meados do século XX, a empreita teve peso económico no Algarve e chegou a ser exportada. Em Loulé, cresceu uma produção ligada às embalagens de figos para exportação. Mais tarde, o plástico e as peças baratas importadas fizeram-na recuar. Hoje sobrevive nas mãos de artesãos e associações.
Como se faz
Na empreita de palma, usa-se a palmeira-anã (Chamaerops humilis). Entre junho e setembro, com o calor, apanham-se os cogolhos, as folhas novas e tenras. Secam ao sol e têm de ser protegidas da chuva para não escurecerem. Depois são ripadas em tiras, humedecidas para ficarem brandas e, por vezes, branqueadas com enxofre ou tingidas. Entrança-se um número ímpar de tiras, de cinco a onze, numa fita contínua. As fitas cosem-se com baracinha, um cordel fino de palma torcida. Na empreita de esparto, Isidoro Ramos arranca a planta entre julho e setembro, seca-a ao sol até ganhar um tom dourado e demolha-a para recuperar flexibilidade. As tranças enrolam-se da base para o topo e cosem-se com agulha grossa e corda de juta ou sisal.
Onde
A palmeira-anã cresce em matos secos e solos calcários do Algarve e da Andaluzia, sobretudo no barrocal e na serra. O esparto cresce nas serras do interior algarvio e no Alentejo. Em Tavira, a AECT, Associação Em Contacto Tavira, reúne artesãs entre os 70 e os 80 anos que continuam a entrançar palma. Em Paderne, no concelho de Albufeira, Isidoro Ramos trabalha o esparto como aprendeu, em criança, com a avó e com a mãe.
Como reconhecer a empreita
Numa peça de empreita vê-se a fita entrançada, com as tiras cruzadas em diagonal. A fita corre em espiral ou em voltas sobrepostas, e as costuras ficam quase escondidas entre elas. Uma boa trança tem a mesma largura do princípio ao fim. A palma seca tem tons claros e uma superfície lisa. O esparto seco ao sol ganha um tom dourado e é mais rijo. Nas peças tingidas, a cor aparece em riscas na própria trança.
Onde comprar
Na Ra‑Ro encontra empreita de palma feita pelas artesãs da AECT, em Tavira: a Cesta Espiral, a Cesta com Tampa, a Mala Artesanal e o Tapete. Em esparto, há peças de Isidoro Ramos, de Paderne: a Barreleira, a Caracoleira e a Cabeça de Burro. Leia também sobre o esparto, a palma e o bunho, ou consulte o Índice Ra‑Ro.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre empreita e esparto?
Empreita é a técnica: entrançar tiras em fitas e coser as fitas entre si. Esparto é uma das plantas usadas, a par da palma. Uma peça pode ser empreita de palma ou empreita de esparto.
Que planta é a palma da empreita?
É a folha da palmeira-anã, Chamaerops humilis, uma palmeira baixa que cresce espontaneamente no Algarve. Usam-se as folhas novas e tenras, apanhadas entre junho e setembro.
Como cuidar de uma peça de empreita?
Guarde-a num local seco e arejado, longe da humidade. Limpe o pó com um pano seco ou uma escova macia. Se se molhar, deixe-a secar naturalmente à sombra.





























