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Sidra artesanal portuguesa: o que é, como se faz e como se bebe num dia qualquer

A sidra é sumo de maçã fermentado, uma bebida leve com séculos de tradição na Europa. Sérgio Carvalho escreve sobre como se faz, como se escreve, como se serve e sobre a sidra da família Casais, em Tibães.

5 دقيقة قراءةبواسطة Sérgio Carvalho

Garrafa de Sidra de Maçã Porta da Loja, sidra artesanal feita em Tibães, no Minho

Sérgio CarvalhoPor Sérgio Carvalho, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 4 minutos

Garrafa de Sidra de Maçã Porta da Loja, sidra artesanal feita em Tibães, no Minho

Há bebidas de festa e bebidas de terça-feira. As de festa têm rolha que salta, discursos, copos altos. As de terça-feira chegam à mesa sem anúncio, abrem-se porque sim e acompanham o jantar de uma semana qualquer. Desconfio que dizem mais sobre um país do que as outras. Em muitos sítios da Europa, a sidra é das de terça-feira.

A sidra é uma bebida alcoólica leve feita com sumo de maçã fermentado: as leveduras transformam o açúcar da fruta em álcool e o resultado pode ir do doce ao seco. Em Portugal escreve-se sidra, com s, e é menos comum do que nas Astúrias ou na Normandia, mas há quem a faça de forma artesanal. Em Tibães, no concelho de Braga, no Minho, a família Casais faz a Sidra de Maçã Porta da Loja com a maçã Porta da Loja, uma variedade antiga ligada à história do Mosteiro de Tibães, e o toque ácido da bebida vem da própria fruta.

A sidra está para a maçã como o vinho está para a uva. Apanham-se as maçãs maduras, quando têm mais açúcar, tritura-se a fruta até ser polpa, prensa-se a polpa para tirar o sumo e deixa-se fermentar em cubas ou barris. Depois a sidra repousa, estabiliza e vai para a garrafa, e em alguns métodos ganha gás natural já lá dentro. A maçã pesa mais do que tudo: variedades ácidas dão sidras frescas e vivas, variedades doces dão sidras mais redondas. Convém não a confundir com o sumo de maçã, que não fermenta, nem com a aguardente de maçã, que nasce da destilação da sidra e é muito mais forte.

Em Portugal, a bebida escreve-se sidra. Cidra é sobretudo o nome do fruto da cidreira, um citrino grande de casca grossa que acaba em doces e frutas cristalizadas. Alguns dicionários aceitam cidra também para a bebida, mas nos rótulos e no uso de todos os dias a forma corrente é a outra.

Astúrias, Normandia, Minho

Nas Astúrias, no norte de Espanha, a sidra faz parte da vida social. Nas sidrarias serve-se com o escanciado: a garrafa sobe acima da cabeça e a sidra cai de alto para o copo, o que a areja e lhe solta os aromas. Em dezembro de 2024, a UNESCO inscreveu a cultura da sidra asturiana na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Na Normandia, em França, a maçã também manda: a região é conhecida pela sidra e pelo calvados, a aguardente que se obtém destilando a sidra. Das sidrarias de Oviedo aos pomares normandos, dos pomares normandos aos do Minho, a mesma fruta faz bebidas de mesa comum.

Em Portugal a tradição é mais discreta, mas o Minho, com a sua chuva e os seus pomares antigos, guarda maçãs com carácter. A Porta da Loja é uma delas: irregular, teimosa, atravessou séculos caída da árvore à espera de uma dentada. A família Casais tirou-a do pomar e fez dela uma sidra artesanal para brindar ao fim do dia, com leveza. Gosto da modéstia da proposta. Acredito que a prova de qualquer coisa está no quotidiano, na garrafa aberta num jantar sem motivo, e a sidra encaixa bem nessa ideia. Porque é que uma região de pomares como o Minho fez da uva o seu vinho e deixou a maçã quase só para a fruteira? Pode ter sido o clima, pode ter sido o hábito. É a questão que nos podemos colocar.

À mesa

Serve-se fresca, sem a gelar de mais, porque o frio excessivo esconde a maçã. Num copo de vidro fino, que deixa ver a cor e leva o aroma ao nariz, e pouca de cada vez, para não aquecer no copo. Depois de aberta, a garrafa fica bem fechada no frigorífico, porque o gás perde-se com o tempo. A acidez pede comida com gordura e sal: o chouriço de cebola de Ponte de Lima, queijos curados ou de pasta mole, castanhas assadas num serão de outono. À sobremesa, um quadrado de chocolate negro com maçã faz a ponte. A sidra é uma bebida alcoólica: bebe-se com moderação, e nunca antes de conduzir.

Terça-feira, então. Uma garrafa sem cerimónia, um jantar sem motivo, uma maçã de Tibães no copo. A Sidra de Maçã Porta da Loja está na loja, e para quem gosta de bebidas fermentadas antigas há também o nosso texto sobre o hidromel.

Perguntas frequentes

O que é a sidra?

Uma bebida alcoólica leve obtida pela fermentação do sumo de maçã.

Escreve-se sidra ou cidra?

Para a bebida, a forma corrente em Portugal é sidra. Cidra designa sobretudo o fruto da cidreira.

Como se faz a sidra artesanal?

As maçãs são moídas e prensadas, o sumo fermenta em cubas ou barris e, depois de repousar, a sidra é engarrafada.

Qual a diferença entre sidra e sumo de maçã?

O sumo de maçã não fermenta e não tem álcool; a sidra resulta da fermentação desse sumo.

A que temperatura se serve a sidra?

Fresca, mas não gelada, porque o frio em excesso esconde os aromas da maçã.

Onde comprar sidra artesanal portuguesa?

Na Ra-Ro, que vende a Sidra de Maçã Porta da Loja, feita pela família Casais em Tibães, no Minho.

كتب بواسطة Sérgio Carvalho

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