Santo António em cortiça: a irreverência sagrada de Porfírio Mendes
Porfírio Mendes esculpe Santo António em cortiça portuguesa com humor, cores quentes e expressão irreverente. Conheça a história desta peça rara.
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Por Tiago Reis, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
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Há santos que se rezam em silêncio e há santos que se celebram na rua. Santo António é dos segundos. E foi essa alma de festa que Porfírio Mendes decidiu talhar em cortiça. É difícil olhar para esta peça sem sorrir.
O Santo António de Porfírio Mendes é uma escultura única, talhada à mão em cortiça, que reinterpreta com humor, cores quentes e uma expressão exagerada de propósito uma das figuras mais queridas de Lisboa.
Quem foi Santo António?
Nasceu em Lisboa no final do século XII, com o nome de Fernando de Bulhões. Tornou-se frade franciscano, viajante e pensador, e foi um dos grandes oradores do seu tempo. Morreu em Pádua e foi canonizado apenas onze meses depois. Para nós, é de Lisboa. Para tantos outros, de Pádua.
Chamam-lhe o Santo Casamenteiro. Pelas lendas, mas também por ter defendido, em vida, o sentimento acima do dote. Talvez seja por isso que continua tão próximo. Em junho volta sempre, nas ruas, nas músicas, nos encontros improvisados, nos afetos partilhados.

Porque é que a cortiça faz sentido?
A cortiça é a casca do sobreiro, leve e profundamente portuguesa. Escolher este material para um santo é trazê-lo para o chão, para perto de nós. E Porfírio Mendes vai mais longe: dá-lhe cores quentes e deliberadas, uma expressão que foge à solenidade, e deixa o sagrado ganhar uma cumplicidade que poucos materiais permitiriam.
Gosto mesmo disto. Há irreverência, há até um lado contestatário, mas nunca desrespeito. É uma forma de gostar do santo que reconheço bem: com afeto e com humor.
Quem é Porfírio Mendes?
É um artesão com um dote raro, o da reinterpretação singular de figuras clássicas, com humor, expressividade e carácter. A palavra dote não podia ser mais certa para quem esculpe o Santo Casamenteiro. Cada peça é talhada à mão, e nenhuma é igual à outra.

Entre o sagrado e o popular, este Santo António é memória, afeto e imaginação. E é também a prova de que se pode levar a tradição a sério sem a levar demasiado a sério.
Perguntas frequentes
O que é esta peça?
Uma escultura de Santo António esculpida à mão em cortiça, com um tom bem-humorado que se afasta da solenidade religiosa tradicional.
Quem faz esta peça e onde?
O artesão Porfírio Mendes, em Barcelos. Cada peça é talhada à mão e é única.
Que técnica e materiais são usados?
É esculpida à mão em cortiça, recorrendo a faca, lixa e cola, sendo depois pintada em tons de terra quentes.
Porque é rara?
É uma peça artesanal feita à mão, pelo que cada exemplar é único; o seu fabrico demora mais de três semanas.
Porquê a cortiça?
Porfírio Mendes escolheu a cortiça, o material mais português de todos, para afirmar que o sagrado pode ser terreno e enraizado no próprio património.
Como cuidar da escultura?
Destina-se a fins decorativos; manuseie com cuidado, guarde num local protegido e limpe o pó com um pano de algodão seco ou escova macia.



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