A crítica colorida e o amor ao próximo em cortiça esculpida
Para nós, portugueses, é de Lisboa. Para tantos outros de Pádua.
Nasceu em Lisboa, como Fernando de Bulhões, no final do século XII. Tornou-se frade, viajante, pensador. Foi um dos grandes oradores do seu tempo. Morreu em Pádua, tendo sido canonizado apenas onze meses após a sua morte.
Santo António era Franciscano. Símbolo de amor ao próximo, de ajuda e caridade. Mas a sua história também nos fala de eloquência, de milagres. Chamam-lhe o Santo Casamenteiro. Pelas lendas. Pelo gesto concreto de quem, em vida, pregou e ajudou a tornar possível o amor. Enaltecendo o sentimento em detrimento do dote.
Talvez por isso continue tão próximo. Em Lisboa, em junho, volta sempre. Nas ruas, nas músicas, nos encontros improvisados. Nos afetos partilhados.
Talhado em cortiça pelas mãos de Porfírio Mendes, o Santo António é presença próxima, humana. E também lúdica, irreverente, contestatária.
Porfírio Mendes tem em si este dote — a reinterpretação singular de figuras clássicas. Com humor, expressividade e carácter. Na sua cortiça, as cores são quentes e deliberadas, a expressão é exagerada com intenção e o sagrado ganha uma cumplicidade que poucos materiais permitiriam.
Entre o sagrado e o popular, entre a história e a criação, Santo António de Porfírio Mendes é mais do que uma escultura: é memória, afeto e imaginação.