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Alentejo: roteiro pela planície, do cante à viola campaniça

Um roteiro pelo Alentejo: o que ver, o cante e a viola campaniça, e que artesanato levar para casa, da olaria aos tapetes de Arraiolos, às mantas e à cortiça.

5 min de leituraPor Tiago Reis

Viola campaniça artesanal, a viola de arame do Baixo Alentejo, feita por Instrumentos Valente
Viola campaniça artesanal, a viola de arame do Baixo Alentejo, feita por Instrumentos Valente

Tiago ReisPor Tiago Reis, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 6 minutos

Viola campaniça artesanal, a viola de arame do Baixo Alentejo, feita por Instrumentos Valente

O Alentejo ocupa cerca de um terço de Portugal continental, entre o Tejo e o Algarve: planície, montado de sobro e azinho, vilas caiadas e castelos na raia. Para ver, há Évora, Monsaraz e o Alqueva, Marvão e Castelo de Vide, Elvas, Estremoz e Mértola. Para ouvir, o cante alentejano e a viola campaniça. Para levar, o barro de São Pedro do Corval e de Estremoz, os tapetes de Arraiolos, as mantas alentejanas e a cortiça.

Alentejo em resumo

  • Onde fica: no sul de Portugal, do Tejo até à serra algarvia, com uma longa fronteira com Espanha.
  • O que ver: Évora, Monsaraz, Marvão, Castelo de Vide, Elvas, Estremoz, Vila Viçosa e Mértola.
  • Património vivo: o cante alentejano (UNESCO, 2014), o fabrico de chocalhos (2015), os bonecos de Estremoz (2017) e as Festas do Povo de Campo Maior (2021).
  • Artesanato: olaria, tapetes de Arraiolos, mantas de lã, cortiça e chocalhos.
  • Na Ra-Ro: a Viola Campaniça de Instrumentos Valente. É, para já, a nossa única peça claramente alentejana.

O que ver no Alentejo

  • Évora: o centro histórico é Património Mundial da UNESCO desde 1986. O templo romano, a Sé e a Capela dos Ossos fazem-se a pé numa manhã.
  • Monsaraz e o Alqueva: uma vila muralhada no alto, com vista sobre a albufeira do Alqueva, um dos maiores lagos artificiais da Europa. À noite, o céu escuro da região atrai quem gosta de ver estrelas.
  • Marvão e Castelo de Vide: duas vilas da Serra de São Mamede, uma empoleirada num penhasco, a outra com judiaria e fontes.
  • Elvas: as fortificações abaluartadas da cidade de fronteira são Património Mundial desde 2012.
  • Estremoz e Vila Viçosa: terra de mármore, do Paço Ducal e dos bonecos de barro.
  • Mértola: vila-museu sobre o Guadiana, com a antiga mesquita transformada em igreja matriz.

O cante e a viola campaniça

O cante alentejano é canto coletivo, a várias vozes e sem instrumentos: um ponto lança a moda, o alto responde e o grupo entra em coro. Nasceu no trabalho do campo e nas tabernas, e em 2014 a UNESCO inscreveu-o como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Vale a pena procurar um grupo coral numa festa de aldeia em vez de o ouvir num palco.

A viola campaniça é a viola de arame do Baixo Alentejo, das terras de Castro Verde, Ourique e Odemira. Acompanhava os bailes e o cante ao baldão, um despique improvisado entre cantadores. No século XX quase desapareceu e foi recuperada por tocadores e construtores que voltaram a ensiná-la. Na Ra-Ro temos a Viola Campaniça feita à mão por Instrumentos Valente (1920,00 euros). Se está a escolher entre instrumentos, leia Viola Campaniça, Viola Braguesa e Cavaquinho: diferenças e preços, e o resumo está no glossário.

Que artesanato levar do Alentejo

  • Olaria: São Pedro do Corval, em Reguengos de Monsaraz, é conhecido como capital do barro, com olarias lado a lado na mesma aldeia. Redondo é outro centro de loiça pintada.
  • Bonecos de Estremoz: figuras de barro pintadas à mão, de pastores, santos e cenas do campo, inscritas pela UNESCO em 2017.
  • Tapetes de Arraiolos: bordados à mão com lã sobre tela, ponto a ponto. Um tapete grande leva meses.
  • Mantas alentejanas: mantas de lã tecidas em tear, às riscas ou com padrões geométricos, ainda feitas em Reguengos de Monsaraz e em Mértola.
  • Cortiça: o montado é a paisagem do Alentejo e Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo. O sobreiro só pode ser descortiçado de nove em nove anos, e a casca volta a crescer.
  • Chocalhos: feitos à mão em Alcáçovas, em Viana do Alentejo. Em 2015 a UNESCO pôs este ofício na lista de salvaguarda urgente.

E na Ra-Ro, o que há do Alentejo

Sendo honestos: pouco. A Viola Campaniça é a peça que leva o Alentejo consigo. Temos cortiça esculpida, mas não a apresentamos como alentejana: o Diabo de Cortiça (51,20 euros) e o Homem do Ferro (63,40 euros) são figuras de Porfírio Mendes, que trabalha a cortiça como outros trabalham o barro. E a Caixa Esteva (99,20 euros), em marchetaria de Jacky Cavallari, não é artesanato alentejano, mas leva para casa a esteva, o arbusto de flor branca que cobre os montes secos do sul. Os artesãos de cada região estão na página Regiões.

Quando ir ao Alentejo

Na primavera, quando a planície fica verde e cheia de flores. No outono, com temperaturas amenas e as vindimas. O verão é muito quente no interior: é a altura do Alqueva e da costa alentejana, mais do que das vilas. No inverno há menos gente e lareiras acesas, bom para Évora, Marvão e Monsaraz.

Perguntas frequentes

O que visitar no Alentejo?

Évora, Monsaraz e o Alqueva, Marvão e Castelo de Vide, Elvas, Estremoz e Vila Viçosa, e Mértola. Évora e Elvas são Património Mundial da UNESCO.

O que é o cante alentejano?

É um canto coletivo a várias vozes, sem instrumentos, nascido no trabalho do campo. Foi inscrito pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2014.

O que é a viola campaniça?

É a viola de arame tradicional do Baixo Alentejo, usada nos bailes e no cante ao baldão. Quase desapareceu no século XX e foi recuperada por tocadores e construtores.

Que artesanato é típico do Alentejo?

A olaria de São Pedro do Corval e de Redondo, os bonecos de Estremoz, os tapetes de Arraiolos, as mantas de lã, a cortiça e os chocalhos de Alcáçovas.

Quando é a melhor altura para visitar o Alentejo?

Na primavera e no outono, com temperaturas amenas. O verão é muito quente no interior e é melhor para o Alqueva e a costa.

Onde comprar uma viola campaniça?

Na Ra-Ro, que tem uma Viola Campaniça feita à mão por Instrumentos Valente e envia para Portugal, Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil.

Escrito por Tiago Reis

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