index

Enfia o Barrete

Irina Andrusko e Luz Ornelas abrem o livro de histórias e contam-nos uma de encantar. Uma história de saberes antigos, de fios de lã de ovelha e fibras naturais, de agulhas e fusos. Recordam-se de algo? Nesta história, porém, a bela não adormeceu e o príncipe é um barrete – de vilão ou de orelhas. Um dos ícones etnográficos da ilha Madeira que merece ser conhecido e preservado.

 

   

Irina Andrusko é investigadora, linguista e criadora têxtil. Natural da Estónia e a viver na Madeira desde 2011, foi já na Ilha que criou um espaço de experimentação e investigação prática, centrado na lã regional e na valorização da matéria-prima local. À sua volta, reuniu artesãos, investigadores e detentores de saberes que a tradição ainda guarda.

Luz Ornelas é natural da freguesia de Santa Luzia, no Funchal, e engenheira de madeiras. Aprendeu a tricotar e a fazer os tradicionais barretes de orelhas, com a sua mãe. E não mais parou.  Há mais de três décadas que preserva e partilha esse conhecimento, para que esta tradição e o artesanato madeirense se mantenham vivos, como as histórias dos livros.

   

 

Foi do encontro entre estes dois percursos que nasceu, em 2021, o coletivo Enfia o Barrete - um projeto dedicado à investigação da lã madeirense e à preservação do tradicional barrete de orelhas. Das ferramentas aos materiais, tudo é estudado a partir da recolha etnográfica. Seguem-se os protótipos, as experiências e a criação de novas peças. Por fim, o saber regressa à comunidade através de oficinas, exposições e outras iniciativas de divulgação.

 

O Enfia o Barrete não quer enganar ninguém. Nem mesmo as belas adormecidas. Vive para que a tradição perdure e o barrete de orelhas, tão emblemático no artesanato madeirense, possa ser valorizado. Por todos. Mesmo por aqueles que não acreditam em histórias de encantar.

   
Isidoro Ramos

O esparto não ser corta. Arranca-se.
Isidoro Ramos voltou ao campo que o viu crescer. E recuperou a tradição que as mãos da avó e da mãe lhe ensinaram. Para que o esparto algarvio não desapareça nas serras onde ainda cresce.

Ler mais
Salinas do Samouco

Na Marinha do Canto, o saber não tem validade. Tal como o sal.
No estuário do Tejo, as Salinas do Samouco foram outrora as maiores produtoras do país. Hoje resiste a Marinha do Canto onde o sal, teimoso, ficou.

Ler mais
Salina Greens

Onde o sal não é sal.
Na Salinas Green, a paisagem não é cenário. É sistema vivo.
Aqui, as plantas crescem onde a terra encontra o sal e o alimento nasce da sua regeneração.

 

Ler mais