Céu Reis nasceu na Guarda e cresceu na aldeia de Maçainhas, onde os invernos eram duros, mas também quentes. Como? Cobria-se com os espessos e impermeáveis cobertores de lã tradicional eram tecidos em teares manuais, de madeira, por homens - os tecelões. Eram os cobertores de papa, feitos com lã de ovelha churra, escovados com gestos longos para conferir isolamento e resistência. Desde pequena, Céu aprendeu os ritmos da tecelagem, não como carreira, mas como rotina familiar.
Durante mais de duas décadas, trabalhou na antiga fábrica José Freire, até esta encerrar em 2013. O icónico cobertor entrou, então, em extinção, mas Céu não deixou que a história terminasse assim. Em 2018, juntamente com mais 15 sócios, fundou a Associação O Genuíno Cobertor de Papa, com o objectivo de reviver o ofício, com os mesmos artesãos que trabalhavam na fábrica, em regime de voluntariado. Resgatou um tear manual com cerca de 300 anos (um dos últimos do seu tipo no mundo), prestou formação e comprometeu-se a tecer os cobertores espessos à moda antiga todos os dias, à mão.


Sob a sua liderança, a associação registou a marca “Cobertor de Papa”, conseguiu ser
uma referência no património nacional e europeu, recebeu prémios de artesanato, referências e menções honrosas e garantiu apoio para o projeto Papachurra, que liga o cobertor às raças ovinas em risco e à sustentabilidade rural. Hoje, Céu lidera a única equipa certificada que ainda produz o verdadeiro, genuíno cobertor de papa.

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