Sal Marinho do Samouco: o sabor que resiste no estuário do Tejo
O sal que foi moeda e movimentou impérios continua a ser colhido à mão nas Salinas do Samouco. Descubra a história rara que resiste no estuário do Tejo.
Neste artigo
Por Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
Leitura de cerca de 3 minutos

O sal é, provavelmente, o produto mais subestimado da cozinha. Está sempre lá e ninguém pensa nele. E, no entanto, poucas coisas tiveram tanto poder.
Porque é que o sal já foi tão valioso?
Foi moeda de troca. Inspirou rotas comerciais. Foi arma política, eternizada na Marcha do Sal de Gandhi, que fez de um punhado de cristais um gesto de liberdade. O mais simples é, muitas vezes, o que dura mais.
Hoje está em todas as cozinhas do mundo, para realçar o sabor, conservar e purificar. A questão é outra: de onde vem o sal que usamos, e o que se perde quando deixamos de perguntar.
Onde nasce o Sal Marinho do Samouco?
O Sal Marinho do Samouco é produzido de forma tradicional na Marinha do Canto, nas Salinas do Samouco, no concelho de Alcochete, junto ao estuário do Tejo. As Salinas do Samouco foram outrora das maiores produtoras de sal do país. Hoje resiste a Marinha do Canto, onde o sal, teimoso, ficou.

Como se faz um sal tradicional?
A água do mar evapora ao sol e ao vento e o sal cristaliza. Ao fazê-lo, retém os seus minerais naturais: magnésio, cálcio e potássio. É colhido à mão, sem processamento industrial. É esta pureza que o distingue.
Na prática, isto significa um sal com mais carácter. E significa também pessoas que, na Marinha do Canto, insistem em produzi-lo quando seria mais fácil desistir.
Grosso ou fino?
O grosso é ideal para assados e crostas. O fino integra-se de forma mais discreta no dia a dia, em molhos e caldos. Para mim, a escolha interessa menos do que a pergunta que vem antes: vale a pena pensar no sal? Acho que sim. É ele que nos devolve o cheiro dos cozinhados da avó.

Descubra o Sal Marinho do Samouco.
Perguntas frequentes
O que é o sal marinho do Samouco?
Um sal marinho natural, colhido à mão, que resulta da evaporação da água do mar. Os cristais retêm minerais naturais como magnésio, cálcio e potássio.
Onde e por quem é produzido?
No estuário do Tejo, nas Salinas do Samouco, outrora as maiores do país; hoje na Marinha do Canto, que mantém estas salinas tradicionais.
Qual é a técnica?
A água do mar entra nos tanques e evapora ao sol e ao vento; ao concentrar-se, formam-se cristais colhidos à mão, sem processamento industrial.
Porque é raro e escasso?
O método tradicional quase desapareceu; resta apenas uma produção artesanal de pequena escala, o que torna este sal escasso.
Qual a diferença entre o grosso e o fino?
Ambos em embalagens de 1 kg. O grosso é para assados e crostas de carne ou peixe; o fino para o dia a dia, molhos e caldos.
Como se usa na cozinha?
Uma pitada ou duas basta para realçar o sabor dos alimentos: para temperar, apurar e intensificar os aromas dos pratos.



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