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Assador de Castanhas em barro negro: o outono de Gondar

Um assador de castanhas em barro negro, cozido pela soenga em Gondar por César Teixeira e o filho João, dos últimos a dominar esta técnica.

4 min de leituraPor Tiago Reis

Assador de Castanhas em barro negro de Gondar, por César Teixeira
Assador de Castanhas em barro negro de Gondar, por César Teixeira

Tiago ReisPor Tiago Reis, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 3 minutos

Assador de castanhas em barro negro de Gondar

Há objetos que se percebem com os olhos e outros que só se percebem com o cheiro. Um assador de castanhas é dos segundos. Basta imaginá-lo em cima do lume, numa noite de novembro, com amigos à volta, para perceber porque é que me ficou na cabeça.

O Assador de Castanhas é um assador em barro negro feito à mão por César Teixeira e pelo filho João, em Gondar, no concelho de Amarante, no Minho, e cozido pela soenga, a cozedura ao ar livre que dá ao barro a sua cor escura.

O que é a soenga?

A soenga é uma cozedura de barro ao ar livre, feita em cova, em que as chamas chegam a cerca de 1000 °C e o fumo negro se entranha nas peças. Terá sido inventada pelos artesãos de Gondar no início do século XVII. O barro comum coze-se. O barro negro de Gondar, dizem por lá, forja-se.

Esta parte fascina-me. O negro não é uma tinta, é fumo que ficou preso no barro. E, por isso mesmo, não há duas peças iguais.

Assador de castanhas em barro negro desmontado

Quem o faz

César Teixeira e o filho João estão entre as últimas pessoas que ainda fazem soenga. É difícil escrever esta frase sem sentir um aperto. Uma técnica com mais de quatro séculos depende hoje, na prática, de uma família de Gondar.

E, no entanto, o que eles fazem não é um objeto de museu. É um assador para usar. Utilitário e decorativo, conforme o gosto de quem o leva para casa. Gosto mesmo disto: a tradição não fica numa vitrine, vai para cima do lume.

Interior do assador de castanhas em barro negro

Roda baixa, fogo e paciência

O barro negro de Gondar não se faz só no fogo. Antes da soenga, há a forma, modelada à mão, com tempo, por quem aprendeu a técnica em Gondar. César Teixeira e o João fazem-no na aldeia onde a técnica sempre viveu. É essa continuidade, de pai para filho, que me comove mais do que qualquer número.

O assador vem em partes, como se vê nas fotografias. Tampa, corpo, base. Cada uma saída do mesmo fogo, cada uma com o seu tom de negro, um pouco mais mate aqui, um pouco mais profundo ali. Ninguém consegue controlar isso por completo. E ainda bem.

Há uma frase que se repete em Gondar e que me ficou: o barro comum coze-se, o barro negro forja-se. Não sei se é rigorosa. Sei que é verdadeira quando se tem uma destas peças na mão.

Para que serve, afinal?

Para assar castanhas, claro. Mas também para aquilo que vem com elas: a mesa, os amigos, a conversa que se estica, a vida quando o sol se põe. É o objeto certo para o outono.

Da próxima vez que alguém trouxer castanhas, vale a pena lembrar de onde vem aquele negro. Vem do fogo de Gondar, e das mãos de quem ainda o sabe acender.

Assador de Castanhas, por César Teixeira

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Assador de Castanhas, por César Teixeira

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Perguntas frequentes

O que é o Assador de Castanhas em barro negro?

É um assador de castanhas feito à mão em barro negro, em Gondar, Amarante, e cozido pela soenga. Pode ser usado para assar castanhas ou como peça decorativa.

Quem faz esta peça?

César Teixeira e o filho João, em Gondar, no Minho. Estão entre os últimos artesãos que ainda fazem a soenga.

O que é a soenga?

É uma cozedura de barro ao ar livre, em cova, em que o fogo atinge cerca de 1000 °C e o fumo negro se entranha nas peças, dando-lhes a cor escura.

Porque é que o barro é negro?

A cor vem do fumo da soenga, que fica preso no barro durante a cozedura. Não é tinta nem vidrado.

Porque é uma peça rara?

A soenga depende hoje de muito poucas mãos, e cada cozedura é diferente, por isso não há duas peças iguais.

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