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Norte interior

Serras do Norte

Entre o Marão, Montemuro e o Barroso, o inverno é longo e as técnicas também. Aqui coze-se barro em covas abertas na terra, tece-se lã com tintas de líquenes e enterra-se o vinho para o guardar.

século XVIIas raízes da soenga de Gondar
8.ªa serra de Montemuro, entre as mais altas de Portugal
1792a casa de família do Vinho dos Mortos, em Boticas

O barro que coze na terra

César Teixeira nasceu em Gondar, Amarante, em 1969, e aos 18 anos aprendeu com o mestre Manuel Teixeira a roda baixa e a soenga: o barro coze numa cova, coberto de terra e lenha, e sai negro. É um dos últimos mestres em atividade. A oficina fica na antiga escola primária onde aprendeu a ler. O filho João, formado em cerâmica nas Caldas, trabalha agora com ele.

As Capuchinhas de Montemuro

Nos anos 80, quando emigrar era o destino de muitas raparigas da serra, quatro amigas de Campo Benfeito fizeram uma formação de corte e costura e ficaram. O nome vem da capucha dos pastores. Tecem burel, linho e lã em teares manuais e tingem com o que a aldeia dá: líquenes para o amarelo, folhas de nogueira para o castanho, fetos e urtigas para o verde.

O vinho que se enterra

Há mais de duzentos anos, em Boticas, enterraram-se garrafas para as esconder das tropas de Napoleão. Quando as desenterraram, o vinho tinha mudado: leve, fresco, com uma efervescência fina. Nuno Pereira é hoje o único produtor do Vinho dos Mortos, na casa de família que data de 1792.

Para levar as serras inteiras

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