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Viola Campaniça, Viola Braguesa e Cavaquinho: diferenças e preços

Qual a diferença entre a viola campaniça do Alentejo, a viola braguesa do Minho e o cavaquinho? Cordas, afinações, música, história e preço de um instrumento feito à mão pelo luthier Diogo Valente.

8 min de leituraPor Sérgio Carvalho

Viola campaniça feita à mão pelo luthier Diogo Valente, com corpo em forma de oito e boca redonda
Viola campaniça feita à mão pelo luthier Diogo Valente, com corpo em forma de oito e boca redonda

Sérgio CarvalhoPor Sérgio Carvalho, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 7 minutos

Viola campaniça feita à mão pelo luthier Diogo Valente, com corpo em forma de oito e boca redonda

Confesso. A primeira vez que vi uma viola campaniça pensei que alguém tinha esticado uma guitarra. Não tinha. Quase um metro de madeira, cintura de ampulheta, cordas de arame e um passado de taberna alentejana. Guitarra, nunca foi. Hoje tenho três instrumentos destes lado a lado na Ra-Ro, feitos pelo mesmo luthier, e a pergunta é inevitável: qual é a diferença? Vamos por partes.

A viola campaniça é o cordofone do Baixo Alentejo, com cinco ordens de cordas metálicas e boca redonda, que já acompanhou o cante. A viola braguesa é de Braga e do Minho, com cinco ordens duplas e boca de raia. O cavaquinho, também minhoto, tem quatro cordas. Feitas por Diogo Valente, custam 1.920 € e 720 € na Ra-Ro.

Qual a diferença entre a viola campaniça, a viola braguesa e o cavaquinho?

A diferença está na região, no número de cordas e na música que acompanham. A campaniça é do Sul. A braguesa e o cavaquinho são do Norte. A campaniça e a braguesa têm cinco ordens de cordas, o cavaquinho tem só quatro cordas simples. O tamanho também não engana: a campaniça mede cerca de um metro, a braguesa anda pelos 90 centímetros e o cavaquinho minhoto fica pelos 52.

Instrumento Região Cordas / ordens Afinação típica (agudos para graves) Música associada Preço artesanal na Ra-Ro
Viola campaniça Baixo Alentejo (Campo Branco: Castro Verde, Ourique, Almodôvar, Aljustrel) 5 ordens de cordas metálicas sol, mi, dó, fá, dó balhos, despiques de taberna, antigo acompanhamento do cante 1.920 €
Viola braguesa Braga e Minho 5 ordens duplas (10 cordas) lá, mi, si, lá, ré ou lá, fá sustenido, si, sol, ré chulas, viras, desafios e romarias 1.920 €
Cavaquinho Minho (Braga e Guimarães) 4 cordas simples ré, si, sol, sol ou ré, si, sol, ré rusgas, danças de terreiro, desgarradas 720 €

Uma nota honesta sobre as afinações: variam de tocador para tocador e de aldeia para aldeia. Estas são as mais documentadas. Não são as únicas.

O que é a viola campaniça e de onde vem?

A viola campaniça é o cordofone tradicional do Baixo Alentejo, sobretudo do Campo Branco, à volta de Castro Verde, Ourique, Almodôvar e Aljustrel. Também lhe chamam viola de arames ou viola de Beja. Há quem a procure como guitarra campaniça. Serve na mesma. Guardei os pormenores no glossário da viola campaniça.

O corpo tem forma de oito, com uma cintura bem marcada, e a boca é redonda. O cravelhal é plano e retangular, ligeiramente inclinado em relação ao braço. As cordas são metálicas, em cinco ordens. Tradicionalmente toca-se de dedilho, só com o polegar. Um dedo. Chega.

Acompanhava balhos, despiques de taberna e cantorias. E aqui vem a parte curiosa. O cante alentejano, que a UNESCO inscreveu como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2014, canta-se hoje em coro e sem instrumentos. Mas registos do final do século XIX mostram o cante acompanhado pela viola campaniça. O coro ficou. A viola saiu de cena.

Saiu, mas não morreu. Caiu em desuso nos anos 60 e quase desapareceu. A recolha de Alberto Sardinha no Campo Branco ajudou a salvá-la, e a partir do fim dos anos 80 voltou a ouvir-se. Pedro Mestre, músico de Castro Verde, construiu a sua própria viola em 1999. Hoje Castro Verde é o centro onde mais se ensina a tocá-la.

Viola Campaniça, por Diogo Valente

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Raríssimo

Viola Campaniça, por Diogo Valente · 1.920 €

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O que é a viola braguesa?

A viola braguesa é a viola popular de Braga e do Minho, com cinco ordens de cordas duplas, dez cordas ao todo, e boca em forma de raia nos exemplares modernos. Os mais antigos tinham boca redonda ou oval. Há referências documentais desde o século XVII. Mais pormenores no glossário da viola braguesa.

Viola braguesa artesanal de Diogo Valente, cordofone de cinco ordens duplas do Minho

Toca-se de rasgado, com os dedos todos a varrer as cordas. É a viola das chulas, dos viras e dos desafios cantados nas festas do Minho. Tem duas famílias de afinação com nome próprio, a moda velha e a moda nova. Há quem prefira a moda velha por casar melhor com as vozes femininas minhotas. Não me meto nessa discussão. Perco sempre.

Em 1983, Júlio Pereira gravou um disco chamado precisamente Braguesa e tirou a viola do arraial para os palcos. Anos depois, os Diabo na Cruz levaram-na para o rock. Quem procura "braguesa guitar" em inglês está a pensar nela, mesmo sem saber o nome certo.

Viola Braguesa, por Diogo Valente

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Raríssimo

Viola Braguesa, por Diogo Valente · 1.920 €

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Como é o cavaquinho e como se afina?

O cavaquinho é um pequeno cordofone de quatro cordas metálicas, nascido no Minho, com cerca de 52 centímetros de comprimento. Há referências à sua construção em Braga e Guimarães desde o início do século XVII.

No cavaquinho minhoto, as afinações mais citadas são ré, si, sol, sol e ré, si, sol, ré, contadas dos agudos para os graves. Toca-se de rasgado e anda nas festas, feiras e romarias, nas danças de terreiro, nas desgarradas e nos desafios. Pequeno, mas ninguém o manda calar.

É também o que mais viajou. No Brasil é peça central do samba e do choro. E o braguinha e o rajão da Madeira, levados para o Havai por emigrantes madeirenses no final do século XIX, deram origem ao ukulele. Nada mau para um instrumento que cabe numa mochila.

Cavaquinho, por Diogo Valente

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Escasso

Cavaquinho, por Diogo Valente · 720 €

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Quanto custa uma viola campaniça ou braguesa feita à mão?

Na Ra-Ro, uma viola campaniça feita à mão por Diogo Valente custa 1.920 €, exatamente o mesmo que a viola braguesa. O cavaquinho artesanal custa 720 €.

Não vou fingir que conheço a tabela de preços de todos os luthiers do país. Não conheço. O que sei é simples: um instrumento feito à mão por um luthier custa mais do que um de fábrica, porque é construído peça a peça pelas mesmas mãos, sem linha de montagem. A campaniça do Diogo, da sua gama de luxo, leva cerca de mês e meio de bancada. Façam as contas às horas.

Neste momento há uma campaniça, uma braguesa e dois cavaquinhos. Estão todos na coleção de instrumentos musicais da Ra-Ro. Quando acabarem, acabaram. Voltam quando o Diogo tiver outra pronta.

Quem faz as violas e o cavaquinho que a Ra-Ro vende?

Quem os faz é Diogo Valente, luthier de cordofones, com a marca Instrumentos Valente. Começou sozinho, numa varanda, com ferramentas genéricas. Depois encontrou um mestre, José Gonçalves, com mais de 30 anos de ofício. Aos 29 anos já era apontado como jovem prodígio nacional da construção de instrumentos.

Vive discreto. É conhecido sobretudo no nicho dos músicos, que é onde a fama de um luthier interessa. Uma varanda, ferramentas simples e um mestre paciente. Gosto destas histórias porque não têm atalhos.

Se ainda está indeciso, a minha sugestão é ouvir as três antes de escolher. A campaniça soa a planície. A braguesa soa a arraial. O cavaquinho soa a festa que não quer acabar.

Perguntas frequentes

A viola campaniça é o mesmo que guitarra campaniça?

Sim. Guitarra campaniça é como muita gente escreve na pesquisa, mas o nome tradicional é viola campaniça, também chamada viola de arames ou viola de Beja. É um cordofone alentejano de cinco ordens de cordas metálicas, sem parentesco direto com a guitarra portuguesa do fado.

O cante alentejano é cantado com viola?

Hoje não. O cante é cantado em coro, sem instrumentos, e foi assim que a UNESCO o inscreveu em 2014. Mas registos do final do século XIX mostram que o cante era acompanhado pela viola campaniça.

Quanto tempo demora um luthier a fazer uma viola campaniça?

A viola campaniça de Diogo Valente à venda na Ra-Ro pertence à sua gama de luxo e leva cerca de mês e meio a construir, totalmente à mão, na oficina da Instrumentos Valente.

A viola braguesa e a viola amarantina são o mesmo instrumento?

Não. São ambas violas do Norte, mas distinguem-se logo pela boca: a amarantina tem a abertura em forma de dois corações, enquanto a braguesa moderna tem boca de raia e a antiga boca redonda ou oval.

Quem tornou a viola braguesa conhecida fora do Minho?

Júlio Pereira, com o disco Braguesa, de 1983, que levou a viola dos arraiais para os palcos. Mais tarde, bandas como os Diabo na Cruz usaram-na no rock e levaram-na a novos públicos.

O cavaquinho é um bom instrumento para começar?

É o mais pequeno dos três, com cerca de 52 centímetros, e tem apenas quatro cordas simples para afinar. Na Ra-Ro, o cavaquinho artesanal de Diogo Valente custa 720 €, bastante menos do que as violas de cinco ordens.

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