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Bordado da Madeira: o que é, história, pontos e como reconhecer o verdadeiro

O Bordado da Madeira é feito à mão na ilha, sobre linho, algodão, seda ou organdi. Veja a história, os pontos, como reconhecer o verdadeiro e como cuidar dele.

6 分钟阅读作者 Luís Serra

Camisa Flora da Bailha com Bordado da Madeira em tom creme

Luís SerraPor Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

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Camisa Flora da Bailha com Bordado da Madeira em tom creme

Comecei por achar que o problema do Bordado da Madeira era ser bonito demais. Aquela toalha que vive dobrada numa gaveta à espera de uma visita que nunca chega. Depois percebi que o problema era outro, e mais prático: muita gente compra "bordado da Madeira" sem saber o que está a comprar.

O Bordado da Madeira é um bordado feito à mão na ilha da Madeira, sobre linho, algodão, seda natural ou organdi, com pontos como o richelieu, o caseado, a corda, o garanito e o francês e desenhos tirados da natureza. Para saber se uma peça é verdadeira, o sinal mais seguro é o selo de garantia do IVBAM, o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, que verifica a qualidade e a autenticidade das peças. Na Ra-Ro, o Bordado da Madeira chega através da Bailha, o projeto de David Oliveira, do Estreito de Câmara de Lobos, com camisas e guardanapos bordados à mão por artesãs da ilha.

De onde vem o Bordado da Madeira?

O bordado acompanha a ilha desde o povoamento, no século XV. No início, acredita-se, bordavam as senhoras da nobreza, para a casa, para a roupa e para a igreja, com motivos tirados da natureza. Até aqui, nada de muito diferente de outros bordados europeus.

A parte que me interessa mais vem depois. Na segunda metade do século XIX, comerciantes ingleses instalados no Funchal começaram a exportar o bordado para o Reino Unido, e um nome ficou ligado a essa viragem: Elizabeth Phelps, de uma família inglesa do comércio do vinho, nascida no Funchal, que ajudou a transformar o bordado num trabalho pago para as mulheres da ilha. Seguiram-se a Alemanha e os Estados Unidos. Ou seja, o Bordado da Madeira deixou de ser um passatempo doméstico e passou a ser um negócio, com mercados, encomendas e prazos. Isso explica muito do rigor que tem até hoje.

Hoje há cerca de dez empresas a produzir Bordado da Madeira e perto de mil bordadeiras a trabalhar no ofício, muitas delas em casa. Mil pessoas parece muito. Para uma tradição com quinhentos anos, é pouco.

Que pontos usa o Bordado da Madeira?

O desenho é passado para o tecido e depois bordado à mão, ponto a ponto. Uma peça grande pode levar vários meses. Os motivos são quase sempre naturalistas: flores, folhas, ramagens. O que distingue o Bordado da Madeira não é tanto o tema, é a técnica.

O richelieu é um ponto em que se recortam zonas do tecido e se ligam com pequenas pontes de linha, deixando ver o fundo. O ilhó faz pequenos furos rematados à volta, que dão leveza ao desenho. O caseado e o arrendado rematam margens e criam o efeito de renda. Depois há os pontos que desenham: a corda, o pau, o garanito, o bastido, o matiz e o francês, para caules, contornos, pequenos relevos e enchimentos.

São estes últimos que aparecem nas peças da Bailha. A Camisa Flora, em creme e com botões de madeira, tem a flora da ilha em bastido, pau, garanito e corda. A Camisa Til borda o til, uma das árvores mais características da Madeira, em francês, pau, garanito e corda. As camisas são de linho e algodão leve, em tom cru, com 150 gramas e corte descontraído. Gosto da ideia por uma razão simples: põe o bordado numa coisa que se veste à terça-feira, não só em dia de festa. E cada descrição diz que pontos foram usados e quem bordou, o que, num tema em que a origem é tudo, não é um pormenor.

Como reconhecer o Bordado da Madeira verdadeiro?

Primeiro, o selo de garantia do IVBAM. O instituto analisa as peças e aplica-lhes o selo; é a prova mais clara. Segundo, a lei: em 1985, o Bordado da Madeira foi o primeiro produto não agrícola português protegido como Indicação Geográfica, e a União Europeia criou entretanto um sistema comum de proteção para indicações geográficas de produtos artesanais e industriais, de que este nome pode beneficiar.

Terceiro, olhar. Num bordado à mão há pequenas diferenças de ponto para ponto. A máquina repete tudo na perfeição e o avesso costuma denunciá-la. Quarto, perguntar: quem bordou, e onde? Se não houver selo, quem vende tem de saber responder. Quinto, o preço. Horas e meses de trabalho à mão não cabem num preço muito baixo. Isto não é argumento de venda, é aritmética.

Uma vez em casa, o cuidado é simples: lavar à mão em água fria ou morna, com sabão neutro e sem lixívia, que amarela o linho e enfraquece a linha. Não torcer, secar à sombra, passar a ferro pelo avesso sobre uma toalha felpuda para não esmagar o relevo, e guardar dobrado em papel de seda, longe do plástico. Os Guardanapos Bailha, em linho bege bordado em bastido, matiz, corda, garanito e pau, aguentam bem esta rotina. E foram feitos para ir à mesa.

Que é, no fundo, a minha conclusão. O Bordado da Madeira não precisa de mais proteção na gaveta. Precisa de quem o reconheça e o use. Se vai à ilha, o Roteiro Madeira ajuda a escolher o que ver e o que trazer, e a página Região Madeira reúne os artesãos madeirenses da Ra-Ro. Para comparar com outro bordado português, há o Bordado de Guimarães e o lenço dos namorados. E, da mesma ilha mas noutra arte, o Barrete de Orelhas Regional, cuja história contamos em Enfiar o barrete.

Perguntas frequentes

O que é o Bordado da Madeira?

Um bordado manual da ilha da Madeira, trabalhado em linho, algodão, seda natural ou organdi, com motivos de flores, folhas e ramagens e pontos próprios como o richelieu, o ilhó e o garanito.

Como sei se o Bordado da Madeira é verdadeiro?

Confirme se a peça tem o selo de garantia do IVBAM, que certifica a autenticidade. Sem selo, peça ao vendedor a origem da peça e o nome de quem a bordou.

O Bordado da Madeira tem Indicação Geográfica?

Sim. O nome está protegido desde 1985, quando se tornou o primeiro produto não agrícola português com Indicação Geográfica.

Quem levou o Bordado da Madeira para Inglaterra?

Comerciantes ingleses do Funchal, a partir da segunda metade do século XIX. Elizabeth Phelps teve um papel central em fazer do bordado um ofício pago para as mulheres da ilha e em divulgá-lo em Inglaterra.

Como se lava o Bordado da Madeira?

À mão, em água fria ou morna, com sabão neutro. Evite a lixívia, não torça a peça e passe-a a ferro pelo avesso.

Onde comprar Bordado da Madeira?

Na Ra-Ro, através da Bailha, de David Oliveira, com camisas e guardanapos bordados à mão por artesãs madeirenses.

撰稿 Luís Serra

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