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Glossário

Fibra de bananeira: o que é e como se faz um cesto açoriano

Fibra de bananeira é a fibra vegetal retirada do caule e das folhas da bananeira depois de a planta dar fruto. Extraída, seca e limpa à mão, é entrançada, cosida ou trabalhada em crochet para fazer cestos, bases e outros objetos. Nos Açores, dá nova vida a uma planta que, de outro modo, seria deitada fora.

Origem e história

A bananeira é uma planta herbácea do género Musa e cada pé só dá frutos uma vez. Depois da colheita, o caule é cortado e torna-se um resíduo. Noutras partes do mundo, esse caule é fonte de fibra há séculos: nas Filipinas faz-se o abacá, com a Musa textilis, e em Okinawa, no Japão, tece-se o bashōfu com camadas do caule.

Nas ilhas portuguesas a bananeira tem raízes antigas. Na Madeira, há registo da sua cultura desde meados do século XVI. Nos Açores, é comum nos quintais. Foi aí, em São Miguel, que em 2022 a arquiteta e investigadora Vanessa Melo iniciou um projeto colaborativo: recolher bananeiras em quintais de amigos e familiares e experimentar extrair, secar e triturar a fibra dos caules. A experiência deu origem ao livro "Uma Viagem ao Centro da Bananeira" e, em 2025, à marca Musaz.

Como se faz

O caule da bananeira é formado por camadas sobrepostas. Essas camadas são separadas à mão, secas e suavemente limpas até restar uma fibra flexível. Também se usa a folha bandeira, a folha que protege o fruto no início do seu desenvolvimento.

Com a fibra pronta, há vários caminhos. No cesto entrançado, as tiras cruzam-se como numa empreita. No cesto cosido, a fibra é enrolada em espiral e cosida volta a volta. Nas bases de copo, trabalha-se em crochet. A cor e a textura mudam consoante a bananeira usada. Os cestos da Musaz são acabados com uma mistura de cera de abelha e óleo de camélia, ambos produzidos nos Açores.

Onde

A Musaz trabalha em São Miguel, com uma pequena equipa de familiares e amigos com mãos experientes noutros ofícios. Além dos objetos, promove oficinas para idosos, crianças e turistas. Em 2025, Vanessa Melo deu oficinas de cestaria em fibra de bananeira na Ribeira Grande, no âmbito do programa Saber Fazer e do laboratório "Açores: Do Oceano, As Artes", que também valoriza o vime e a espadana.

Como reconhecer fibra de bananeira

A fibra de bananeira tem tons naturais que vão do creme ao castanho, muitas vezes na mesma peça. As tiras não são perfeitamente iguais, e o toque é seco e leve. Nos cestos acabados com cera, a superfície ganha um brilho suave. É parente próxima de outras fibras vegetais do país, como a palma e o bunho, mas nasce de uma planta tropical cultivada nas ilhas.

Onde comprar

Na Ra‑Ro encontra peças da Musaz: o Cesto de Cestaria Entrançada (quadrados), o Cesto Redondo de Cestaria Entrançada (pequeno), feito com a folha bandeira, o Cesto Cosido e a Base de Copo em Crochet. Conheça a história da marca na página do produtor Musaz e veja o índice Ra‑Ro.

Perguntas frequentes

De que parte da bananeira sai a fibra?

Sobretudo das camadas do caule, que se separam, secam e limpam à mão. Algumas peças usam também a folha bandeira, que protege o fruto no início do seu desenvolvimento.

Porque é a fibra de bananeira um material sustentável?

Porque cada bananeira só dá frutos uma vez e depois é cortada. Usar o caule transforma um resíduo agrícola em objetos duradouros.

Que técnicas se usam com a fibra de bananeira?

Nos Açores, a Musaz entrança, cose em espiral e trabalha a fibra em crochet, acabando os cestos com cera de abelha e óleo de camélia açorianos.

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