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O saco de burel que veste um azulejo: a arte das Capuchinhas de Campo Benfeito

Um saco em burel da Serra da Estrela, recortado à mão por quatro artesãs da Cooperativa As Capuchinhas, veste padrões que evocam o azulejo português.

4 min de leituraPor Sérgio Carvalho

Saco de Azulejo Branco em burel das Capuchinhas - Ra-Ro
Saco de Azulejo Branco em burel das Capuchinhas - Ra-Ro

Sérgio CarvalhoPor Sérgio Carvalho, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil

Leitura de cerca de 3 minutos

Pormenor do padrão geométrico em burel que evoca o azulejo

Há objetos que nasceram para ficar em casa, a salvo do tempo. E há outros que pedem rua. Este saco é dos segundos. Vai ao ombro, enfrenta o frio e a chuva, e fica tão bem na serra como na cidade.

O Saco de Azulejo Branco é um saco em burel feito à mão pelas artesãs da Cooperativa As Capuchinhas, em Campo Benfeito, no concelho de Castro Daire, com a técnica do recorte do burel e desenho de Paula Caria: padrões geométricos em cru sobre castanho-escuro que evocam o azulejo português.

O burel é um tecido de lã grossa e resistente, com a dureza certa para enfrentar o frio e a chuva da montanha. Este chegou da Serra da Estrela ao atelier das Capuchinhas. Lá, quatro artesãs trabalham-no como aprenderam com o tempo, cortando e compondo cada forma à mão.

Do linho ao burel, da lã ao tear manual, da serra para a cidade. A Cooperativa As Capuchinhas produz vestuário em burel, linho e lã, com teares manuais e técnicas tradicionais, e o recorte do burel é uma das coisas que as suas mãos dominam.

Pormenor da pega do saco em burel

O desenho é de Paula Caria. Nos relevos em tom cru aparecem padrões geométricos que nos levam ao legado árabe no azulejo português. Um azulejo que, em vez de ficar numa parede, sai à rua a passear. Gosto da ideia.

O recorte do burel é a técnica de cortar formas num burel e encaixá-las noutro de cor diferente, compondo o padrão sem tinta nem estampagem.

A prova de um bom objeto está no quotidiano. Num saco que vai ao ombro todos os dias, que aguenta o inverno e continua bonito na primavera. É aí que se percebe se a técnica era enfeite ou competência.

Porque é que um padrão com séculos de história cabe tão bem num saco de hoje? Talvez porque nunca deixou de ser nosso. Ou talvez porque alguém em Campo Benfeito decidiu que não o deixaria ficar parado. É a questão que nos podemos colocar.

Há objetos que ficam em casa. Este pede rua. O conselho é simples: deixá-lo sair.

Saco de Azulejo Branco

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Saco de Azulejo Branco, por As Capuchinhas

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Perguntas frequentes

O que é o Saco de Azulejo em burel?

Um saco de mão feito em burel, o tecido de lã grossa da Serra da Estrela, com um padrão geométrico inspirado no azulejo português.

Quem faz este saco e onde?

Quatro artesãs da Cooperativa As Capuchinhas, em Campo Benfeito, na Serra da Estrela, com desenho de Paula Caria.

Que técnica é usada?

O burel é tecido em teares manuais; depois, as artesãs cortam e compõem cada peça à mão, sem qualquer automatização.

Porque é um produto raro?

Assenta num fabrico totalmente manual que preserva tradições têsteis pastoris com séculos de história, ligadas aos pastores da Serra da Estrela.

Quais são as medidas do saco?

Tem 30 cm de altura, 40 cm de largura e 16 cm de profundidade, com asas de 63 cm. Prático para o uso diário.

Como se deve cuidar do saco?

Recomenda-se apenas limpeza a seco. O burel é conhecido pela sua resistência e durabilidade.

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