Mobiliário pintado alentejano: o que é, de onde vem e como reconhecer uma peça pintada à mão
O mobiliário pintado alentejano decora peças de casa com flores e ramagens pintadas à mão sobre fundos de cor lisa. Saiba de onde vem, como se pinta e como reconhecer uma peça verdadeira.
Neste artigo
Por Sérgio Carvalho, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
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O mobiliário pintado alentejano é a tradição de decorar à mão peças de casa, como cadeiras, arcas, camas, cómodas e tabuleiros de chá, com flores e ramagens sobre um fundo de cor lisa. Pinta-se tradicionalmente com tinta de esmalte, sobre fundos azuis, brancos, verdes, vermelhos ou amarelos. Segundo a tradição, terá surgido em Évora, em meados do século XIX, e passou depois para artesãos de outras terras do Alentejo, onde ainda há quem a mantenha, como a Zézinha, no Redondo.
Mobiliário pintado alentejano em resumo
- O que é: móveis e objetos de casa decorados à mão com flores, folhas e ramagens.
- Origem: terá surgido em Évora, em meados do século XIX, e foi depois adotado por artesãos de outras localidades da região.
- Peças tradicionais: cadeiras com assento de buinho, arcas, camas, cómodas e tabuleiros de chá.
- Cores de fundo: azul, branco, verde, vermelho e amarelo, e também o grená e o verde-escuro.
- Tinta: tradicionalmente, tinta de esmalte.
- Na Ra-Ro: seis peças pintadas pela artesã Zézinha, do Redondo, de 13,10 a 57,80 euros.
O que é o mobiliário pintado alentejano
É uma pintura decorativa aplicada a peças de uso diário. O móvel, ou o objeto, recebe primeiro um fundo de uma só cor. Sobre esse fundo, o pintor compõe ramos de flores, folhas e pequenas ramagens que se repetem nos cantos, nas portas, nas gavetas ou no espaldar das cadeiras. Não é pintura de quadro: é decoração para viver com ela, numa cozinha, num quarto ou numa sala de jantar. As peças eram feitas para aguentar o uso de todos os dias e a passagem dos anos.
De onde vem esta tradição
A versão mais repetida diz que o mobiliário pintado alentejano terá surgido em Évora, em meados do século XIX, e que foi depois adotado por artesãos de outras localidades da região. É difícil apontar uma data certa para um ofício que passou de mestre para aprendiz, em oficinas pequenas e com poucos registos escritos. O que se sabe é que estas peças entraram na casa alentejana e que hoje se reconhecem à primeira vista em todo o país. E que restam poucos pintores a trabalhar à mão desta forma.
Que peças se pintavam
As mais conhecidas são as cadeiras com assento de buinho, que ainda se veem em muitas casas e tabernas do Alentejo. Mas a pintura chegava a quase tudo o que havia em casa: arcas para a roupa, camas, cómodas, guarda-fatos, mesas de cabeceira e tabuleiros de chá. Os artesãos que hoje continuam o ofício levam a mesma linguagem a peças mais pequenas, como caixas, bases de copos, regadores e objetos de latoaria, que cabem em qualquer casa, mesmo num apartamento.
Cores e motivos
O fundo é sempre uma cor forte e lisa. O azul, o branco, o verde, o vermelho e o amarelo são os mais tradicionais, e o grená e o verde-escuro também fazem parte da paleta. Os motivos são quase sempre vegetais: flores abertas, botões, folhas e ramagens que ligam umas flores às outras. As cores das flores escolhem-se para contrastar com o fundo, e os tons mais suaves dão volume e luz às pétalas. Há também quem arrisque: o tabuleiro de chá da Zézinha tem fundo preto, uma cor que não é a tradicional.
Como se pinta uma peça
- O fundo: a cor base é aplicada de forma uniforme em toda a peça.
- O centro das flores: a Zézinha desenha-o com o dedo, um gesto que aprendeu com o seu mestre.
- Pétalas, folhas e ramagens: são acabadas a pincel, com tons mais suaves para criar contraste.
É neste trabalho de mão que cada peça ganha personalidade. Duas peças com a mesma forma nunca ficam exatamente iguais na pintura.
O Redondo e a artesã Zézinha
O Redondo, no distrito de Évora, é uma terra de artesãos, conhecida também pela olaria. É lá que a Zézinha pinta mobiliário alentejano há quatro décadas. Aprendeu com o seu mestre e é hoje uma das poucas pessoas do Redondo que ainda pintam estas peças. Nas suas flores e ramagens mostra os costumes e as casas da região, e é por isso que as peças dela chegaram à Ra-Ro.
Como reconhecer uma peça pintada à mão
- Pequenas diferenças: as flores repetem-se, mas nunca são cópias exatas umas das outras.
- Camadas de tinta: à luz rasante, nota-se por vezes a pétala pintada por cima do fundo.
- Pinceladas visíveis: as folhas e as ramagens mostram o sentido do pincel.
- Centro das flores: nas peças da Zézinha, cada centro é marcado com o dedo e fica ligeiramente diferente do seguinte.
- Quem fez: uma peça de artesão tem nome e terra; desconfie de peças iguais vendidas às dezenas.
Como cuidar de mobiliário pintado
- Pó: limpe com um pano macio e seco.
- Humidade: não deixe a peça molhada nem em sítios muito húmidos.
- Sem abrasivos: esfregões, lixívia e detergentes fortes podem riscar ou tirar a tinta.
- Calor: afaste a peça de radiadores, fogões e sol forte durante horas.
- Pancadas: mude a peça de sítio com cuidado para não lascar a pintura.
Onde comprar mobiliário pintado alentejano
Na Ra-Ro tem seis peças pintadas à mão pela Zézinha, todas com flores e ramagens:
- Regador Miniatura, de fundo amarelo: 13,10 euros.
- Bicado de latoaria, de fundo branco: 15,30 euros.
- Caixa com Bases de Copos, seis bases de fundo azul: 27,00 euros.
- Tabuleiro de chá, de fundo preto: 30,70 euros.
- Armário de Ovos, de fundo verde-escuro: 50,80 euros.
- Caixa de Jóias com gavetas, de fundo vermelho: 57,80 euros.
Se vai ao Alentejo, o nosso roteiro do Alentejo ajuda a planear a viagem. Para conhecer outras técnicas do país, leia o guia do artesanato português por região.
Perguntas frequentes
O que é o mobiliário pintado alentejano?
É a tradição de pintar à mão flores, folhas e ramagens sobre peças de casa com fundo de cor lisa, como cadeiras, arcas, camas, cómodas e tabuleiros de chá.
Qual a origem do mobiliário pintado alentejano?
Segundo a tradição, terá surgido em Évora, em meados do século XIX, e foi depois adotado por artesãos de outras localidades do Alentejo.
Que tinta se usa no mobiliário alentejano?
Tradicionalmente, tinta de esmalte, aplicada primeiro como fundo liso e depois nas flores e ramagens.
Quais são as cores tradicionais do mobiliário alentejano?
Os fundos mais tradicionais são o azul, o branco, o verde, o vermelho e o amarelo, e também se usam o grená e o verde-escuro.
Como se limpa um móvel pintado à mão?
Com um pano macio e seco, sem esfregões nem detergentes fortes, e longe da humidade e do calor direto.
Onde comprar mobiliário pintado alentejano?
Na Ra-Ro, com seis peças pintadas à mão pela artesã Zézinha, do Redondo, de 13,10 a 57,80 euros.
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