Vinho dos Mortos: o que é, a história de Boticas e como se serve
O Vinho dos Mortos é enterrado no granito de Boticas desde 1809, quando a população o escondeu das tropas francesas. Veja o que é, como sabe e como se serve.
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Por Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
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O Vinho dos Mortos é um vinho de Boticas, em Trás-os-Montes, que passa meses enterrado debaixo da terra antes de ser bebido. A tradição nasceu em 1809, durante a segunda invasão francesa, quando a população enterrou as garrafas para as esconder das tropas. Ao desenterrá-las, descobriu um vinho diferente: leve, de baixo teor alcoólico e com uma ligeira efervescência. O nome vem daí: o vinho esteve "enterrado como os mortos".
Vinho dos Mortos em resumo
- O que é: vinho de Boticas que estagia enterrado no solo granítico.
- Origem: 1809, segunda invasão francesa, no Barroso.
- Como é: leve, de baixo teor alcoólico e com uma subtil efervescência natural.
- Produção: muito pequena, em garrafas numeradas.
- Na Ra-Ro: Vinho dos Mortos.
A história: o vinho que se escondeu de Napoleão
Em 1809, as tropas francesas do marechal Soult entraram em Portugal pelo norte, na segunda das três invasões napoleónicas. Quando chegaram ao Barroso, os habitantes de Boticas fizeram o que muitas aldeias fizeram com os seus bens mais preciosos: esconderam-nos. O vinho foi enterrado em covas no chão, debaixo das adegas e dos quintais.
Passado o perigo, as garrafas foram desenterradas. O vinho tinha mudado: estava mais leve e ligeiramente gaseificado. Em vez de se perder, ganhou fama. A prática manteve-se e Boticas transformou o episódio numa tradição que ainda hoje celebra.
Porque é que o vinho muda debaixo da terra
Debaixo do solo granítico, as garrafas ficam no escuro, sem vibrações e a uma temperatura quase constante ao longo do ano. Nestas condições o vinho continua a evoluir devagar dentro da garrafa, o que lhe dá a leveza e a pequena efervescência que o distinguem. Cada colheita é diferente, porque depende da terra, do tempo de enterramento e do próprio ano.
Como sabe e como se serve
- Temperatura: fresco, como um vinho leve, entre 8 e 12 graus.
- Copo: um copo de vinho branco ou de espumante, para manter a efervescência.
- À mesa: acompanha a cozinha do Barroso, como o fumeiro, o cozido e os queijos da região, e também petiscos e peixe.
- Depois de aberto: beber no próprio dia, como qualquer vinho com gás natural.
Um vinho para o Dia de Todos os Santos
Pelo nome e pela história, o Vinho dos Mortos tornou-se um presente com conversa garantida no início de novembro, entre o Dia de Todos os Santos, o Dia de Finados e o magusto de São Martinho. Fica bem ao lado de castanhas assadas num assador de barro.
Para outras ideias com origem, veja o nosso guia de presentes portugueses por preço.
Perguntas frequentes
O que é o Vinho dos Mortos?
É um vinho de Boticas, em Trás-os-Montes, que estagia enterrado no solo granítico. Fica leve, de baixo teor alcoólico e com uma ligeira efervescência natural.
Porque se chama Vinho dos Mortos?
Porque em 1809 a população de Boticas enterrou o vinho para o esconder das tropas francesas. O vinho esteve enterrado como os mortos e ficou com esse nome.
Onde é feito o Vinho dos Mortos?
Em Boticas, no Barroso, distrito de Vila Real, em Trás-os-Montes, no norte de Portugal.
Como se serve o Vinho dos Mortos?
Fresco, entre 8 e 12 graus, num copo de vinho branco ou de espumante. Depois de aberto deve ser bebido no próprio dia.
Com que comida combina?
Com a cozinha do Barroso, como fumeiro, cozido e queijos, e com petiscos e peixe.
Onde comprar Vinho dos Mortos?
Na Ra-Ro, em garrafas numeradas de produção muito pequena, com envio para Portugal, Europa, EUA, Canadá e Brasil.
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