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Glossário

Vidro soprado: o que é e como se molda o vidro com o sopro

Vidro soprado é vidro moldado à mão pelo sopro humano. O vidreiro recolhe vidro fundido na ponta de uma cana oca e insufla-o até ganhar forma, livremente ou dentro de um molde. Cada peça sai ligeiramente diferente da anterior, e é essa pequena diferença que a torna única.

Origem e história

A técnica de soprar vidro surgiu em meados do século I a.C., com artesãos sírios e fenícios que perceberam que o vidro fundido podia ser insuflado como uma bolha. Pouco depois, já no século I d.C., nasceu o sopro em molde, com moldes esculpidos em madeira ou metal que davam forma e textura à peça.

Em Portugal, o grande centro do vidro é a Marinha Grande, no distrito de Leiria. Em 1747, John Beare instalou ali uma fábrica de vidro vinda de Coina, atraído pela madeira do pinhal, pela areia rica em sílica e pelo bom barro. Em 1769, sob a direção do inglês Guilherme Stephens, a fábrica recebeu a maquinaria mais moderna da época e passou a chamar-se Real Fábrica de Vidros. A indústria cresceu tanto que a Marinha Grande ficou conhecida como a capital do vidro. Hoje, o Museu do Vidro, aberto em 1998 no antigo Palácio Stephens, guarda essa memória.

Como se faz

O vidro nasce de sílica, casco de vidro reciclado e um fundente, como o carbonato de sódio. A mistura funde no forno a cerca de 1200 ºC até se tornar um líquido incandescente. O vidreiro mergulha a cana, recolhe uma porção de vidro, rola-a sobre uma superfície lisa para arrefecer a camada exterior e começa a soprar em pequenos sopros.

A peça pode ser soprada livremente ou dentro de um molde. Os moldes tradicionais são de ferro fundido, grafite ou barro. No fim, a peça passa por um arrefecimento lento, o recozimento, que pode durar de algumas horas a alguns dias e evita que o vidro estale.

O designer Samuel Reis levou o molde para outro lugar. Com uma equipa de mestres vidreiros, usa troncos de madeira já ocos, sem o seu cerne, cortados e transformados em moldes naturais. O vidro é soprado lá dentro e a madeira deixa a sua marca. Chamou-lhe projeto Cerne.

Onde

A Marinha Grande continua a ser a referência nacional do vidro. Samuel Reis vive e trabalha nas Caldas da Rainha, onde se formou em Design Industrial na ESAD, numa cidade de forte tradição cerâmica. O seu trabalho já foi apresentado na exposição Homo Faber, em Veneza.

Como reconhecer vidro soprado

Pequenas bolhas de ar, ligeiras variações de espessura e formas que não são exatamente iguais entre exemplares são sinais de trabalho manual. Na base pode existir a marca do pontel, a vara que segura a peça durante o acabamento. No projeto Cerne, a madeira deixa texturas orgânicas.

Onde comprar

Na Ra‑Ro encontra peças de vidro soprado de Samuel Reis: os Copos Cerne de Madeira, e o Jarro Cerne da Madeira em Vidro, para água, vinho ou flores. Conheça a história do designer na página do produtor Samuel Reis. Veja também a soenga e o índice Ra‑Ro.

Perguntas frequentes

O que é vidro soprado?

É vidro moldado pelo sopro do vidreiro, através de uma cana oca, livremente ou dentro de um molde. Cada peça é única e tem pequenas variações de forma e espessura.

Porque é que a Marinha Grande é a capital do vidro?

Porque ali se instalou uma fábrica de vidro em 1747, que em 1769 se tornou Real Fábrica de Vidros sob Guilherme Stephens. A indústria cresceu e marcou a identidade da cidade.

Os copos Cerne de Samuel Reis são todos iguais?

Não. São soprados em troncos de madeira ocos que servem de molde natural, por isso cada peça tem formas e texturas ligeiramente diferentes.

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