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Glossário

Flor de sal: o que é e como se colhe nas salinas

Flor de sal é a fina camada de cristais que se forma à superfície da água nas salinas, em dias quentes e de vento suave. É recolhida à mão, com cuidado, antes de afundar. Não serve tanto para cozinhar: usa-se sobretudo para finalizar um prato já feito.

Origem e história

O sal marca a história de Portugal há mais de mil anos. O documento mais antigo que se conhece sobre sal português data de 959 e descreve uma doação de terras e salinas de Aveiro, feita pela condessa Mumadona ao Mosteiro de Guimarães.

No estuário do Tejo, os primeiros registos de atividade salineira na zona do Samouco surgem no século XIII. Alcochete chegou a ser o maior e mais importante núcleo de produção de sal do país. O complexo do Samouco reunia 56 salinas em 360 hectares e empregava grande parte da população. Hoje resta uma: a Marinha do Canto, a única marinha em produção em todo o Tejo, preservada desde 2000 pela Fundação para a Proteção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco.

Como se faz

O trabalho começa em março. Limpam-se os tanques, repara-se o tabuado que os limita e preparam-se as águas. Depois, o sol e o vento evaporam a água do mar de tanque em tanque, até à saturação. A cristalização acontece nas últimas bacias.

A flor de sal aparece em paralelo com o sal marinho. Com calor forte, sol intenso e vento suave, formam-se à superfície pequenos cristais finos, como uma película branca e brilhante. Tem de ser retirada várias vezes ao dia, para que os cristais não afundem. No Samouco, a recolha faz-se com uma rede. Já o sal marinho cristaliza no fundo e é rapado com o rodo de madeira. A colheita decorre sobretudo entre junho e setembro. No Samouco, o sal não leva aditivos nem é lavado.

Onde

Em Portugal, o sal tradicional produz-se nos salgados de Aveiro, da Figueira da Foz, do Sado (Setúbal e Alcácer do Sal) e do Algarve, na Ria Formosa. Algumas origens têm proteção europeia: a Flor de Sal de Tavira é Denominação de Origem Protegida desde 2013.

Como reconhecer flor de sal

A flor de sal verdadeira é recolhida à mão, todos os dias, apenas da camada de cristais que flutua à superfície. Os cristais são finos e irregulares, em pequenas palhetas, muito diferentes dos grãos grandes do sal grosso. São brancos e estaladiços. Estalam entre os dedos e desfazem-se na língua. No rótulo, procure a origem da salina e, quando existir, o selo DOP.

Onde comprar

Na Ra‑Ro encontra a Flor de Sal e o Sal Marinho, grosso ou fino, das Salinas do Samouco, colhidos na Marinha do Canto. Experimente a flor de sal a finalizar um peixe numa cataplana ou sobre uma fatia de fumeiro. Para outras raridades portuguesas, consulte o índice de raridade Ra‑Ro.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre flor de sal e sal marinho?

A flor de sal forma-se à superfície da água e é recolhida à mão, com uma rede, em cristais finos e delicados. O sal marinho cristaliza no fundo do tanque e é rapado com o rodo. A flor de sal usa-se para finalizar, o sal marinho para cozinhar.

Quando se colhe a flor de sal?

Nos meses quentes, sobretudo entre junho e setembro, quando o calor e o vento suave aceleram a evaporação. É retirada várias vezes ao dia, antes de os cristais afundarem.

A flor de sal tem aditivos?

Não. Nas Salinas do Samouco o sal não leva aditivos nem é lavado. O sal marinho tradicional conserva elementos da água do mar, como o magnésio, o cálcio e o potássio.

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