Cabeçudo é uma figura de festa com uma cabeça enorme e desproporcionada, que se veste como um capacete e dança pelas ruas ao som dos bombos. Anda quase sempre ao lado dos gigantones, nas romarias e festas populares portuguesas, sobretudo no Minho. A mesma figura passou também para o barro, no figurado popular e na cerâmica de autor.
Origem e história
Gigantones e cabeçudos pertencem a uma tradição de figuras festivas que acompanham procissões e festas há séculos na Península Ibérica. As referências mais antigas em Portugal ligam as figuras gigantes às procissões do Corpo de Deus. Com o tempo, saíram do contexto religioso e tornaram-se protagonistas das romarias.
Os cabeçudos têm o tamanho de uma pessoa. Por isso mexem-se com mais liberdade do que os gigantones e dançam no meio do povo. Muitos são caricaturas, outros são monstros ou diabos. No Minho também se chamam almajonas ou armazonas. O exemplo mais conhecido é a Revista de Gigantones e Cabeçudos da Romaria d'Agonia, em Viana do Castelo: ao meio-dia, na Praça da República, as figuras dançam ao som dos Zés P'reiras, os grupos de bombos e gaitas.
Como se faz
A cabeça do cabeçudo é feita de pasta de papel e pintada à mão. Os gigantones levam uma armação de ferro, podem chegar aos quatro metros de altura e pesar cerca de 30 quilos, e são manobrados por uma pessoa no seu interior.
No barro, a figura ganhou outra vida. O caderno de especificações do figurado de Barcelos inclui gigantones e cabeçudos entre os temas de religião e festa, ao lado de diabos e músicos. Na cerâmica de autor, Andreia Pinho usa barro selvagem, que ela própria colhe à mão por Portugal. O seu Cabeçudo é um vaso escultórico: orelhas que parecem dentes, presas, um bigode que lembra uma cobra e uma língua vermelho-escura.
Onde
Os cabeçudos saem à rua em festas de norte a sul do país, mas é no Minho que têm mais peso, com Viana do Castelo à cabeça. Andreia Pinho trabalha em Leiria, uma capital da cerâmica, onde instalou a oficina em 2021. Tem mestrado em Artes Plásticas pela ESAD.CR e formação no laboratório de cerâmica do CENCAL.
Como reconhecer um cabeçudo
O traço essencial é a desproporção: uma cabeça muito maior do que o corpo, com olhos, nariz e boca exagerados e cores vivas. A expressão pode ser cómica, grotesca ou assustadora. Numa peça de cerâmica feita à mão, procure marcas de modelação, variações de cor e uma textura que mostra a origem do barro.
Onde comprar
Na Ra‑Ro encontra o Cabeçudo de Andreia Pinho, um vaso em barro selvagem com atitude. Da mesma artesã há duas máscaras de barro, a Máscara (1) e a Máscara (2), e o Mafarrico, um diabo que pode conhecer melhor no glossário do mafarrico. Conheça a artesã na página de Andreia Pinho e veja outras raridades no índice Ra‑Ro.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre gigantones e cabeçudos?
Os gigantones são figuras altas, que podem chegar aos quatro metros, manobradas por uma pessoa no seu interior. Os cabeçudos têm o tamanho de uma pessoa e uma cabeça enorme de pasta de papel, o que lhes dá mais liberdade para dançar.
Onde se podem ver cabeçudos em Portugal?
Em muitas festas e romarias do país, sobretudo no Minho. A Revista de Gigantones e Cabeçudos da Romaria d'Agonia, em Viana do Castelo, é o exemplo mais conhecido.
O Cabeçudo de Andreia Pinho é uma máscara para vestir?
Não. É um vaso escultórico em barro selvagem, colhido à mão pela artesã, inspirado nas figuras de cabeça grande das festas populares. É uma peça decorativa e única.

























