Burel é um tecido de lã tecido em tear e depois pisoado, ou seja, batido e escaldado em água muito quente até ficar denso, compacto e quente. É o pano tradicional dos pastores da Serra da Estrela, usado em capas, casacos e coletes. Protege do frio, do vento e da chuva.
Origem e história
O burel nasceu da vida pastoril das serras do centro de Portugal. A Ecolã, oficina familiar fundada em 1925 em Manteigas, descreve-o como um tecido de origem medieval, usado por pastores e clérigos. Com a falência de muitas fábricas de lanifícios, o tecido quase desapareceu. Voltou a ganhar vida em Manteigas, onde a antiga fábrica Lanifícios Império reabriu em 2010, e hoje surge também na moda e na decoração. Na Serra de Montemuro, a tradição ficou ligada à capucha, a capa usada pelos pastores para se protegerem do frio e da chuva. Foi dela que a cooperativa As Capuchinhas, fundada em 1987 em Campo Benfeito, tirou o nome.
Como se faz
Tudo começa na lã, tradicionalmente de ovelhas autóctones da Serra da Estrela, como a bordaleira. A lã é lavada, cardada e fiada. Depois é tecida em tear. O passo que define o burel vem a seguir: o pano vai ao pisão, uma máquina que bate e escalda a lã para a tornar mais dura e apertada. Com a água quente e o batimento, as fibras prendem-se umas às outras e o tecido encolhe. O resultado é um pano grosso e coeso, que resiste ao rasgo e ao uso intenso. Pode manter as cores naturais da lã, branco, castanho ou mesclado, ou ser tingido.
Onde
O burel é sobretudo da Serra da Estrela, com produção documentada em Manteigas e em São Romão, no concelho de Seia. Em Manteigas trabalha a Ecolã, que produz burel a partir da lã bordaleira Serra da Estrela. Na Serra de Montemuro, a norte do distrito de Viseu, As Capuchinhas transformam burel da Serra da Estrela em vestuário, com teares manuais, técnicas tradicionais e design contemporâneo de Paula Caria.
Como reconhecer o burel
Toque no pano. O burel é espesso, firme e pesado para o tamanho. A superfície parece feltrada e quase não se vê a trama do tecido. As arestas cortadas ficam limpas. A água tende a escorrer pela superfície em vez de entrar logo. Desconfie de tecidos finos, elásticos ou com fibras sintéticas vendidos como burel.
Onde comprar
Na Ra‑Ro encontra peças de burel feitas à mão pelas As Capuchinhas, em Campo Benfeito: o Casaco de Burel Mesclado Claro, o Saco de Azulejo Branco, com recorte de burel inspirado no azulejo português, e o Poncho Tecelagem Tintoreira, em linho e burel tingidos com nogueira e líquenes. Das mesmas artesãs há o Casaco de Carapuço Barra Laçada, em lã da Serra da Estrela. Da Ecolã, em Manteigas, chega o Cobertor de Lã (Manta Pastor), em lã crua de ovelha bordaleira. Leia também sobre o cobertor de papa e a manta lobeira, ou consulte o Índice Ra‑Ro.
Perguntas frequentes
O burel é impermeável?
O burel não é um tecido técnico, mas é muito denso. A água tende a escorrer pela superfície e o pano protege bem da chuva e do vento. Por isso foi durante gerações o tecido das capas dos pastores.
Qual é a diferença entre burel e feltro?
O burel é primeiro tecido em tear e só depois pisoado. O feltro faz-se com fibras soltas compactadas, sem tecelagem. Por isso o burel mantém uma estrutura de tecido por baixo da superfície feltrada.
O que é a capucha?
A capucha é a capa tradicional usada pelos pastores da Serra de Montemuro para se protegerem do frio e da chuva. Deu nome à cooperativa As Capuchinhas, fundada em 1987 em Campo Benfeito.



























