António Ramalho e o figurado de Barcelos: cinco peças do bisneto de Rosa Ramalho
António Ramalho é um oleiro de Barcelos, bisneto de Rosa Ramalho e filho de Júlia Ramalho. Conheça a história do figurado de Barcelos e as cinco peças dele na Ra-Ro: Sarronco, Diabo, Medusa, Parideira e Ouriço.
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Por Luís Serra, cofundador da Ra-Ro · Ver perfil
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António Ramalho é um oleiro de Barcelos, bisneto de Rosa Ramalho e filho de Júlia Ramalho, as barristas que tornaram o figurado de Barcelos conhecido em Portugal e fora dele. Aprendeu o ofício em casa e foi em Inglaterra e França que encontrou uma linguagem própria: cores líquidas, textura vítrea e um gosto assumido pelo profano e pelo bizarro. A Ra‑Ro trabalha diretamente com ele e tem cinco peças suas.
António Ramalho em resumo
- Quem é: oleiro de Barcelos, Minho, terceira geração da família Ramalho.
- Família: bisneto de Rosa Ramalho (1888 a 1977) e filho de Júlia Ramalho.
- Estilo: o bestiário do figurado, com vidrados intensos e superfícies brilhantes.
- Na Ra‑Ro: Sarronco, Diabo de Barcelos, Medusa, A Parideira e Ouriço, de 53 a 157,90 euros.
Em Barcelos, ninguém chamava Papão ao papão. Chamavam-lhe Sarronco. Era o nome que a mãe de António usava sempre que as travessuras levavam a melhor. António nunca soube que cara tinha. Anos depois, deu-lha em barro.
O que é o figurado de Barcelos?
O figurado de Barcelos é a tradição de figuras de barro modeladas à mão no concelho de Barcelos, no Minho. A produção concentrou-se historicamente nas freguesias de São Martinho e Santa Maria de Galegos, na margem direita do Cávado. Foi inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial a 10 de julho de 2026, com cerca de 50 artesãos no ativo, e em setembro de 2026 recebeu proteção europeia como indicação geográfica de produtos artesanais. Veja também o glossário do figurado de Barcelos.
Os temas dividem-se em quatro grupos: religião e festa, bestiário (animais reais e fantásticos, monstros, diabos), vida quotidiana, e figuras várias e miniaturas. As peças de António Ramalho vivem sobretudo no bestiário.
Três gerações de barro em Galegos
Rosa Ramalho (Galegos, 1888 a 1977) é o nome maior desta tradição. Modelou cristos, santos e oratórios, mas ficou conhecida pelos diabos, feras e criaturas híbridas, como lobisomens e homens com cabeça de burro. Nos anos 1950, o pintor António Quadros ajudou a levá-la para lá de Barcelos.
Júlia Ramalho continuou a obra da família, e foi com ela que António aprendeu.
António Ramalho cresceu com uma pergunta: onde é que o seu trabalho cabe, ao lado destas mulheres que lhe ensinaram tudo? A resposta foi afastar-se o suficiente para ter voz própria. Mantém o bestiário da família, mas troca as cores tradicionais por vidrados intensos. A estética de Rosa e a de António, entre o religioso e o profano, inspirou a longa-metragem de animação portuguesa Os Demónios do Meu Avô, de Nuno Beato.
As cinco peças de António Ramalho na Ra‑Ro
Todas são modeladas à mão em barro de Barcelos, vidradas, e têm o Índice de Raridade Ra‑Ro em Raríssimo, o quarto de cinco níveis.
Sarronco (Papão), 157,90 euros
É a figura mais colorida que António fez até hoje, com cerca de 23 cm de comprimento e 19 cm de altura. Pernas em vidrado verde salpicado, base amarela e ocre, corpo com relevos negros brilhantes e gotas vermelhas. Devia assustar, mas tem ar de quem se junta logo à brincadeira das crianças.
Diabo de Barcelos, 79,50 euros
O diabo é a figura mais associada a Rosa Ramalho. António, que não se diz religioso, fez o seu como homenagem à bisavó, com outras cores e outra textura. Repare nos espigões, no olhar e nas cobras.
Ouriço, 63,40 euros
Fechado em círculo, com espinhos que avisam em vez de atacar. É a peça mais silenciosa do conjunto: pede que se olhe com cuidado, sem tocar.
Medusa, 53 euros
Cobras em vez de cabelo, como manda o mito. A Medusa foi primeiro criada pela mãe de António e é agora feita por ele, com o vidrado que é a sua assinatura. Mitologia greco-barcelense que, em vez de petrificar, faz sorrir.
A Parideira, 53 euros
Muitas mitologias contam que a humanidade nasceu do barro. A Parideira homenageia o nascimento: o da carne e o de uma ideia. É a peça que mais se afasta da tradição religiosa do figurado.
Como reconhecer figurado de Barcelos autêntico
- Modelado à mão: a modelação manual é a técnica principal do figurado. Cada exemplar tem pequenas diferenças.
- Origem no concelho de Barcelos: a área delimitada é o concelho inteiro, com núcleo histórico em Galegos.
- Autor identificado: o figurado é arte de autor e o nome do barrista conta. Na Ra‑Ro, cada peça é comprada diretamente ao artesão.
Cuidados: manusear com cuidado, evitar mudanças bruscas de temperatura e limpar o pó com um pano de algodão seco ou um pincel macio.
Para mais peças feitas à mão de todo o país, veja o nosso guia de artesanato português por região.
Perguntas frequentes
Quem é António Ramalho?
Oleiro de Barcelos, bisneto de Rosa Ramalho e filho de Júlia Ramalho. Faz figurado de Barcelos com cores líquidas e textura vítrea.
O que é o Sarronco?
É o nome que se dá ao papão em Barcelos. António Ramalho transformou-o numa figura de barro, a mais colorida da sua obra.
O que é o figurado de Barcelos?
Figuras de barro modeladas à mão no concelho de Barcelos, com núcleo em Galegos. Os temas vão da religião e da festa ao bestiário de diabos e monstros.
Qual a ligação a Rosa Ramalho?
Rosa Ramalho (1888 a 1977) foi a barrista mais conhecida de Barcelos. António é seu bisneto, e o Diabo de Barcelos que faz é uma homenagem direta a ela.
As peças são todas iguais?
Não. São modeladas à mão, por isso cada exemplar varia ligeiramente.
A Ra-Ro envia para fora de Portugal?
Sim. Envia para Portugal, resto da Europa, EUA, Canadá e Brasil, com 30 dias para devolução gratuita.







