
Artesanato Zézinha
Azul, verde-garrafa, grená, vermelho, amarelo e branco. É sobre estas cores que Zézinha começa a desenhar, com os dedos, as flores que dão vida ao mobiliário alentejano.
Há quatro décadas que, no Redondo, Maria José ou Zézinha, como é conhecida, pinta o mobiliário alentejano. Sobre as cores base os seus dedos começam pelo desenho do centro de uma flor. E com o passar dos dias, os pincéis vão contando a história da sua terra. Em flores.

Zézinha começou aos 18 anos, num dos cursos que abriram no Redondo. Aprendeu com um mestre que, se fosse vivo, teria hoje mais de cem anos. Os gestos que lhe transmitiu continuam presentes no seu trabalho.
Como ela, cadeiras, camas, arcas, tabuleiros e tantos outros móveis continuam a contar, com cores fortes e muitas flores, as histórias das casas alentejanas e do dia-a-dia das suas gentes.

Cada peça é pintada à mão e nenhuma é igual à outra. A continuidade do ofício preocupa Zézinha. A preparação da base exige muito trabalho e paciência, qualidades que nem todos estão dispostos a dedicar-lhe. Já teve aprendizes, mas diz que nenhum continuou. É assim, entre a persistência de quem aprendeu e a incerteza de quem poderá continuar, que esta tradição chega até nós.
Cada peça de Artesanato Zézinha leva às casas de hoje a arte que, há gerações, dá vida e cor às do Alentejo.



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