A barreleira usa-se antes da roupa ir para barrela
No outro tempo. O tempo de antes.
A roupa era lavada no rio ou em casa. Em tábuas de madeira ou mais tarde em tanques. E branqueada com a barrela – água a ferver, sabão e cinzas de madeira peneiradas – na barreleira, uma tina feita em materiais resistentes, como ferro ou mesmo a madeira.
Esta barreleira – um cesto para roupa suja de nome bonito - tem a autoria do artesão algarvio, de Paderne, Isidoro Ramos. É feita em esparto, uma planta autóctone, que o próprio vê crescer nos campos e serras do algarve até estar pronta para ser arrancada, entre julho e setembro.
Depois de arrancado, o esparto é posto ao sol para ganhar um tom dourado e, em seguida, é demolhado, para ficar mais macio e poder ser trabalhado. Ganha vida em tranças - a empreita - que depois são enroladas e cosidas entre si. Com agulha grossa e corda de juta ou sisal. Com a mesma técnica artesanal que Isidoro aprendeu, em criança, com a avó e com a mãe.
Para fazer a Barreleira enrolam-se as tranças para a base e sobe-se. Lentamente. Com pressão e rigor até chegar ao topo. A tampa é feita com uma trança mais estreita.
A barreleira guarda a roupa à espera da barrela. E guarda o esparto das serras do Algarve, as mãos que o arrancaram e a técnica que a avó e a mãe de Isidoro lhe ensinaram.