Uma agulha que sangra história
O sanguinho-da-Madeira cresce na Laurissilva - a floresta endémica da Madeira, Património Mundial da UNESCO. É uma árvore rara, de crescimento lento, ameaçada pelas espécies invasoras e pelos incêndios.
Luz Ornelas é engenheira de madeiras e conhece bem as árvores da sua ilha. Foi ela quem escolheu esta madeira para fazer a agulha de tapeçaria, com pontas rombas e olho largo para facilitar o enfiamento de fios grossos de lã ou algodão. Mas Luz utiliza apenas as sobras de madeira, resultantes de podas ou árvores caídas naturalmente. Ela, melhor que ninguém, sabe que a flora da Laurissilva é protegida.
Cada agulha é inteiramente feita à mão e não existem duas iguais. Variam na textura e na cor, desde os rosados suaves até os vermelhos mais escuros, próprios de cada Sanguinho.
Esta agulha semi-plana é adequada para trabalhos de tecelagem e tapeçaria e uma boa opção para teares portáteis e outros projetos têxteis artísticos. É criada pelas mãos de quem conhece a ilha por dentro e por fora. Para preservar uma tradição que, tal como o sanguinho, merece não desaparecer.
O projeto coletivo Enfia o Barrete foi criado em 2021 pela própria Luz Ornelas e por Irina Andrusko, para investigação e valorização da lã madeirense e preservação do tradicional barrete de orelhas. Para que a tradição não adormeça.