Três urras ao burro! Que para sempre viva.
Era considerado parceiro de trabalho inseparável dos agricultores, noutros tempos. Tanto na agricultura de subsistência, como no transporte. Especialmente na zona da serra, mas hoje o Burro é uma espécie quase extinta no Algarve.
Felizmente há quem se lembre dele e que queira revalorizá-lo – na agricultura biológica e regenerativa, no turismo de natureza ou em projetos de preservação.
Isidoro Ramos, artesão natural de Paderne, escolheu o esparto para celebrá-lo. E faz cabeças de burro decorativas em vários tamanhos.
O esparto é uma planta autóctone, que Isidoro vê crescer nos campos e serras do Algarve até estar pronto para ser arrancada, entre julho e setembro.
Depois de arrancado, o esparto é posto ao sol para ganhar um tom dourado e em seguida é demolhado, para ficar mais macio e poder ser trabalhado. Ganha vida em tranças - a empreita - que depois são enroladas e cosidas entre si, com agulha grossa e corda de juta ou sisal, para fazer este burro.
Um burro que serve de decoração. De focinho grande e proeminente, orelhas espetadas e bem atentas e olhos quase doces, numa cabeça entrelaçada com cores. Que lhe dá alegria e jovialidade.
Isidoro Ramos não deixa o burro desaparecer. Nem o esparto. Nem as técnicas artesanais que as mãos da avó e da mãe lhe ensinaram.