Neste fuso podemos fiar-nos.
Na história de encantar, a princesa Aurora é amaldiçoada a morrer ao picar o dedo num fuso, mas uma fada boa transforma a maldição num sono profundo de 100 anos, que só pode ser quebrado por um beijo de amor verdadeiro. A maldição cumpre-se, mas Aurora acaba por ser despertada por um príncipe.
O nosso príncipe chama-se Enfia o Barrete – o projeto coletivo criado em 2021 por Irina Andrusko e Luz Ornelas, para investigação e valorização da lã madeirense e preservação do tradicional barrete de orelhas. Das ferramentas aos materiais tudo é estudado, a partir da recolha etnográfica. Depois criam-se os protótipos ligados ao uso da lã. E por fim dá-se a conhecer o saber e o fazer, com oficinas e exposições.
Numa arte de fiar que estava adormecida, Irina Andrusko recuperou o conceito e fez a recolha etnográfica. Encontrou um fuso de fiar lã original em urze de Isabel Ferreira do Ribeiro Frio, São Roque do Faial (Santana) e ainda um fuso de fiar lã original em vinhático na Ponta do Pargo, no concelho da Calheta.
Conceição Câmara, fiandeira e tecedeira de Santana, deu-lhe ainda a conhecer um fuso de fiar lã original em urze.
Com esta recolha, Luz Ornelas desenhou os fusos e o torneador Luís Jesus deu vida às réplicas. Nasceu um fuso de fiar lã de 47 cm, um de fiar lã e linho de 41 cm e outro de 30 cm. Todos feitos em madeira de freixo com acabamento em cera natural.
Os artesãos do Enfia o Barrete dizem que com o uso estes fusos ganham polimento natural, pelo que não há que hesitar. Há só que usá-los, para que a tradição não adormeça.
30 cm > Réplica de um fuso encontrado na zona da Ponta do Pargo
41 cm > Réplica de um fuso demonstrado por Conceição Câmara, fiandeira e tecedeira de Santana
47 cm > Réplica de um fuso emprestado por Isabel Ferreira, do Ribeiro Frio, São Roque do Faial (Santana)
Com o uso ganha polimento natural.