O caracol vai ao ombro já sem os pauzinhos ao sol
Há costumes assim. Aqueles que fazem as delícias de muitos, num país como Portugal, onde a gastronomia nos desafia de norte a sul e no verão os caracóis nos chegam em travessas, com muitos orégãos e bacon malandro, para apurado sabor.
Para isso é preciso haver quem os apanhe. E a pensar nesta tradição nasceu a caracoleira – um cesto pequeno que vai ao ombro e não deixa escapar os mais lentos que se deixam apanhar. Talvez este ano, não olhemos para as travessas…
Esta caracoleira tem a autoria do artesão algarvio, de Paderne, Isidoro Ramos.
É feita em esparto, uma planta autóctone, que o próprio vê crescer nos campos e serras do Algarve até estar pronta para ser arrancada, entre julho e setembro.
Depois de arrancado, o esparto é posto ao sol para ganhar um tom dourado e em seguida é demolhado, para ficar mais macio e poder ser trabalhado. Ganha vida em tranças - a empreita - que depois são enroladas, desde a base até ao topo e cosidas entre si. Com agulha grossa e corda de juta ou sisal. Com a mesma técnica artesanal que Isidoro aprendeu, em criança, com a avó e com a mãe.
A caracoleira não deixa escapar os caracóis. E nem tão pouco o esparto das serras do Algarve, as mãos que o arrancaram e a técnica que a avó e a mãe de Isidoro lhe ensinaram.